sábado, 9 de outubro de 2010

A COMADRE MORTE


A COMADRE MORTE.
Do livro histórias contadas por dona Gertrudes.
Por Honorato Ribeiro dos Santos.

João tinha uma família muito grande, dez filhos, mas não tinha uma profissão sequer para viver melhor. Era tão pobre, que, quando um filho nascia, não achava ninguém para batizar. Todos recusavam de ser compadre e comadre dele. Era um homem bom, mas a miséria invadiu sua vida deixando à margem da sociedade.
Um dia ele levantou e se ajoelhou e disse: Meu Deus! Por que as pessoas não me têm como gente a ponto de recusar batizar os meus filhos?! Se a morte quiser batizar meus filhos eu darei com muita alegria e serei seu compadre. Quando ele acabou de fazer a jura, a morte se apresentou a ele e disse-lhe:
-Estou aqui com muito prazer e batizarei seu filho, pois ninguém gosta de mim. Todos me odeiam e foge de mim. Você foi o único a me valorizar.
-Pois bem. Batize um dos meus filhos e tornemo-los amigos.
De hoje em diante você sairá da miséria e se transformará num homem famoso e rico. Far-lhe-ei um acordo com você. É o seguinte acordo: Você será um curador. Quando houver uma pessoa doente você irá curá-la. Quando você entrar no quarto do enfermo e me ver sentada aos pés da cama pode fazer sua garrafada de remédio e dá ao doente que ele ficará bom. Porém, quando você entrar num quarto e eu estiver sentada na cabeceira da cama, pode falar com a família que esta pessoa não tem mais cura. E assim foi feito o acordo entre seu João e a comadre Morte.

Seu João tornou-se famoso e rico, pois tratava e curava todos os tipos de doença. A sua casa era cheia de gente o convidando para assistir os doentes, pois, quando ele entrava no quarto do doente sempre a comadre estava sentada aos pés da cama.

Quando foi um dia, apareceu-lhe a esposa de um homem rico cujo marido já estava desenganado dos médicos, para que ele o curasse. Daria muito dinheiro se ele conseguisse tratá-lo. Seu João aceitou. Mas quando entrou no quarto do homem rico a comadre estava sentado à cabeceira da cama. Ele então disse para a família do doente:
-Vamos mudar a posição da cama. Mudaram e ele foi fazer a garrafada, a meizinha de sempre. Quando ele chegava, a comadre estava sentada à cabeceira da cama. Ele mandava mudar a posição da cama sempre quando a comadre se encontrava à cabeceira dela. A sua teimosia era porque iria receber muito dinheiro; dinheiro que ele nunca viu em toda a sua vida. Então se esqueceu do combinado e foi para a mata arrancar raiz para fazer a garrafada. Quando ele estava cavando raiz a comadre se lhe apresentou e disse a ele:
-Compadre, como foi o combinado? Eu não lhe disse que, quando eu estivesse sentada à cabeceira da cama, o senhor diria aos familiares que não tinha mais remédio, não foi?
-É, comadre, mas é muito dinheiro que vou ganhar. A senhora dá um jeitinho...
-Não posso, compadre. O dia dele está chegado.
Mas a senhora poderá dar mais uns anos de vida para ele e eu, além de ganhar muito dinheiro, fico famoso e desafiarei os médicos.
-Compadre, não posso fazer isso. Então, acompanha-me, que eu vou lhe mostrar uma coisa e o senhor ficará sabendo que é impossível, para que ele tenha mais vida.
O João, famoso curador, acompanhou a comadre Morte mata à dentro. Caminharam até que avistaram um casarão. Chegando lá, a comadre abriu a porta e João viu um grande e incomensurável salão cheio de velas acesas. Então a comadre Morte disse a João:
-Olhe, você está vendo estas velas acesas? Cada uma delas representa a vida de cada um na face da terra. Agora eu vou lhe mostrar a do homem rico que você quer tratá-lo.
João viu a vela do homem findando, quase apagando. Então ele perguntou para a comadre:
-E a minha, comadre? Cadê?
-É esta aqui. Está enorme e você vai ter uma vida longa.
-Comadre, a gente pode trocar?
-Trocar como?!
-Pegue a vela dele e põe no lugar da minha, e a minha no lugar da dele.
-Bem, compadre, se você quiser posso trocar.
-Pode trocar, disse João.
A comadre trocou e ele foi fazer a garrafada. Quando ele entrou no quarto encontrou a comadre sentada aos pés da cama. Ele ficou alegre, pois sabia que o homem ficaria curado e ele iria ganhar bastante dinheiro e ficar famoso. Ele deu o remédio e o rico homem ficou curado. Deu bastante dinheiro ao João curador e ele foi se embora para sua casa. Mas, quando chegou lá, se lembrou que tinha trocado a sua vela pela do rico. Ele lembrou assombrado, pois a sua riqueza não iria valer nada, na certa iria morrer. Então ele disse para a sua esposa: Mulher, eu vou pelar o meu cabelo e fazer a minha barba. Quando eu chegar do barbeiro, vou deitar aqui no meio dos meninos. Quando a comadre chegar aqui me procurando, diz a ela que eu fiz uma viagem e não sabe quando voltarei e nem tampouco diz a ela para onde eu fui. Quando ele deitou no meio dos meninos, achando que a comadre não iria lhe reconhecer, se enganou. A comadre chegou e disse à sua esposa:
-Cadê compadre João, comadre?
-Ele fez uma viagem.
-Para onde, comadre?!
-Ele não me disse.
-Ora! O compadre não poderia fazer isso comigo, pois o nosso trato foi hoje e não poderá passar de hoje. Como é que o compadre faz uma desfeita desta comigo?! Olhe, comadre, eu vou entrar e levar um dos meninos no lugar dele. Pois trato é trato...
A Morte entrou e viu os meninos deitados todos juntinhos. Então a morte disse para a comadre:
-Olhe, comadre, como o compadre não está aqui, eu levarei este da cabeça pelada no lugar dele. Mal a Morte o tocou, João deu a alma ao criador.

Dinheiro não compra a morte e nem tampouco o céu.

Honorato Ribeiro dos Santos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ESCRAVIDÃO AINDA EXISTE..


A ESCRAVIDÃO AINDA EXISTE.

Vou transcrever uma triste história da verdadeira escravidão, ainda acontecida em pleno século XX, já no final. Os nomes dos personagens são irreais, inclusive do protagonista que, auxiliado por Deus fugiu livrando-se dos carrascos o matarem, mas ficou calado, pois se tratava de uma grande fazenda de um político muito poderoso. Eu o entrevistei e publiquei em meu livro: A BIOGRAFIA DE CARINHANHA, No Médio São Francisco, Volume 3º, páginas 35, 36 e 37. Leia com atenção.

De vez em quando a gente assiste notícias nos jornais da Globo e outras TVs, que donos de terras enganam trabalhadores com belas vantagens para trabalhar em suas fazendas. A maioria deles são lavradores desempregados. Mas quando chegam à sua fazenda, transformam-nos em regime escravista. As notícias se alastram em jornais com fotos e entrevistas, mas não aparece nenhum coronel na cadeia. Fica sempre em pune.
No ano de 1962, em Minas Gerais, seu Zeca motorista, filho dessa terra baiana, me contou com lágrimas nos olhos, o que aconteceu com ele numa fazenda de um poderoso político. Zeca motorista, grande mecânico, criado e educado por um engenheiro agrônomo, aprendeu ser um verdadeiro cidadão honrado. Zeca fora, desde sua adolescência, muito inteligente e prestativo. Era casado com Júlia tiveram dois filhos: Um homem e uma mulher. Mas como em Carinhanha não houvesse trabalho, saiu para outras plagas, a fim de melhorar de vida. Chegando a Montes Claros, encontrou um gerente de uma fazenda que estava procurando trabalhadores para trabalhar lá na dita fazenda, onde ele era o gerente. Zeca motorista se apresentou com sua carteira de motorista e mostrou ao gerente, perguntando-o se havia trabalho para motorista. O gerente afirmou que sim e foi contratado imediatamente. Havia muito peão com sua família se inscrevendo para o trabalho na dita fazenda. O gerente pedia o documento de cada um, inclusive carteira de trabalho. Terminado as inscrições, todos subiram no pau-de-arara rumo a tal fazenda. Todos ficaram alegres, pois estavam empregados. Zeca motorista era filho de Salvador, (soteropolitano), menino peralta nas ruas e avenidas da cidade do Salvador, capital da Bahia. A sua mãe, com medo de ver o seu filho um dia ser atropelado, deu-o ao Dr Roberto Ribeiro, engenheiro, a fim de criar e educar, como fora realmente. O Dr Roberto Ribeiro veio com a sua família morar aqui em Carinhanha e trouxe o Zeca, já rapazola. Zeca foi enviado para Pirapora para estudar e tirar carteira de motorista e curso de mecânica. Veio e foi empregado na Comissão do Vale do São Francisco por muitos anos aqui em Carinhanha. O Doutor Roberto mudou-se para Belo Horizonte, mas Zeca ficou, pois já era casado. Foi desempregado e por isso foi obrigado a partir para outros lugares em busca de emprego.
O caminhão subia serra e descia serra, cortava areão, buracos e atalhos; era estrada de chão longe do asfalto até chegou à fazenda onde iriam trabalhar. Todos chegaram contentes sem saber o que iria acontecer. Desceram todos do caminhão. Era cerca de cinqüenta trabalhadores. Lá já existiam muitos morando lá em barracos sem conforto nenhum e sem condições de vida digna. Todos se reuniram à frete da casa da fazenda, quando apareceu o dono com voz autoritária de homem prepotente disse-lhes: “Aviso a todos como vai ser a vida de cada um a partir de agora. Prestem atenção: O pagamento só vai receber depois de seis meses; e não quero reclamação de ninguém. Ninguém vai embora daqui e nem tente a fugir. Se alguém tentar fugir iremos atrás e, se for pego, vai apanhar de chicote de cavalo de lá até aqui. E se reagir, morrerá. Para esse trabalho tenho homens que sabem fazer muito bem e são valentes. Portanto, estão todos avisados. Agora, cada um pega as suas coisas e vai para seu barraco. O que precisarem de alimento será comprado no armazém.”
O medo tomou conta de todos e se perguntava uns aos outros: Meu Deus, que absurdo! Ave Maria! Deus nos livre, pois fomos enganados. Mas um dia deram falta de uma família de três filhos menor de idade. Avisaram ao dono da fazenda que imediatamente mandou seus homens armados e com cachorros e se espalharam pela mata à dentro em busca dos fugitivos. Mas os homens voltaram da busca dizendo que não tinham encontrado. Ninguém soube como eles se escaparam. Pois, na mata, além do perigo de os jagunços pegarem, havia também o perigo de onça comê-los e a fazenda era cercada de serra difícil de subir e descer com crianças pequenas. Mas escaparam.
Zeca motorista encontrou um velho que morava ali naquela fazenda já havia bastante anos como escravo. Tornaram-se amigos íntimos. O velho se chamava Sebastião. Era nordestino. Deixou tudo lá no Ceará e, atrás de vida melhor, acabou ali sem poder mais voltar para sua terra e sua família. Ele jamais pensara que ainda existisse escravidão no Brasil. Hoje está muito pior, pois, naquele tempo era escravidão às vistas de todos e da imprensa. Os poetas como Castro Alves, advogados, padres, defendiam a escravidão. Hoje, que vivemos na democracia, tendo rádio e televisão, estamos aqui clandestinamente e não podemos denunciar, porque o homem é rico e poderoso.
Veja, Zeca, bem ali naquele capinzal, existe escondido um cemitério de gente trabalhadora que tentou fugir e acabou sendo morto. Eu já vi coisas absurdas aqui, meu amigo de assombrar qualquer ser humano. Agora eu vou viver aqui nessa prisão clandestina sem poder voltar para meus familiares. Agora, se você tiver coragem de fugir, vou lhe ensinar um jeitinho bom e ninguém vai lhe pegar. Preste bem atenção como é que você irá escapar daqui. Você está vendo aquela estrada de rodagem?  Todo dia, ali, passa um caminhão carregado de madeira indo para Montes Claro. Bem em frente há uma curva; você espera ele passar na curva, aí, você bate a mão para o motorista parar. Diz a ele que você também é motorista. Mostre a ele a sua carteira de motorista. Como os motoristas são unidos ele lhe levará. Tenho certeza. Conte a ele que você foi enganado. Na hora que a sineta bater para o almoço, você pega o seu e entra na mata; fique a espera do caminhão. Ninguém vai dar falta de você um bom tempo. Vai e que Deus lhe proteja.
Zeca fez tudo certinho como o velho tinha lhe orientado. Quando bateu a sineta ele pegou seu prato e dirigiu-se para a mata e sumiu até chegou ao ponto em que ele deveria esperar pelo caminhão. Mal ele chegou ouviu o barulho do caminhão. Era um FORD cheio de madeira. Zeca ficou à beira da estrada e deu sinal ao motorista para parar. O motorista parou e ele mostrou sua carteira pedindo-lhe uma carona; e contou a ele que tinha sido enganado e estava fugindo. O homem olhou para Zeca e disse-lhe: Colega, é um tanto arriscado para mim e você!...Se nos pegar eles acabarão com a gente. Mas... Vamos arriscar. Suba e fique escondido entre as madeiras e vamos embora. Seja lá o que Deus quiser.
Zeca subiu e o caminhão partiu para Montes Claros. O caminhão sobe ladeira, desce ladeira, curvas e mais curvas. Já bem distante, lá em cima da serra, Zeca olha para trás e vê a fazenda. Observou bem e tudo estava em paz. Os capangas e os peões estavam ainda almoçando. Até àquele momento não sabiam que ele estivesse bem longe fugindo num caminhão de transportar madeira. A sorte estava lhe protegendo. E ele ficou mais alegre quando avistou Montes Claros. Minutos depois o caminhão parou e ele desceu, dando um suspiro de alívio e agradecendo a Deus por ter escapado em leso. Como Zeca não tivesse dinheiro, nem mala, somente com a roupa do corpo, lembrou-se que havia ali a COMOSSÃO DO VALE DO SÃO FRANCISCO e seguiu para lá, a fim de pedir socorro aos companheiros, pois ele já forra empregado nela e conhecia amigos. Chegando lá, pediu ao engenheiro, para que o ajudasse com passagem para ele ir a Belo Horizonte, onde morava o Dr Roberto Ribeiro quem lhe criou. O engenheiro era colega de Dr. Roberto Ribeiro e deu-lhe a passagem. Chegando a Belo Horizonte foi se apresentar ao Dr. Roberto Ribeiro e lhe contou tudo sobre a tal fazenda. O Dr. Quando o viu, ficou bastante alegre, pois já havia muitos anos que não tinha notícia dela. Ficou uns dias com seu pai de criação e depois partiu para Carinhanha. Antes de ele ir trabalhar nessa maldita fazenda, ele já havia trabalhado em Mato Grosso, Paraná, mas não teve sucesso. Já havia oito anos que ele tinha deixado a sua família. Quando chegou de vapor, alguém o viu e correu para falar com sua esposa. Esta que acreditava de o marido ter morrido, pois não sabia do seu paradeiro, desmaiou-se com a notícia. Pagaram-na, deram um copo d` água com açúcar e ela voltou a si.
Esta história verídica que ora escrevi, embora triste, mas verdadeira. Ele faleceu, depois de muitos anos trabalhando como funcionário da prefeitura municipal de Carinhanha. Aposentou-se e viveu entre nós até o dia em que Deus o chamou.    

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A MORTE DO VELHO CHICO


A MORTE DO VELHO CHICO.
Poesia de cordel de Honorato Ribeiro dos Santos.

Somos todos responsáveis para preservação da natureza. Para que todos tenham consciência dessa responsabilidade é preciso EDUCAÇÃO. Sem essa não haverá conhecimento do bem.
O rio São Francisco é conhecido por todos os brasileiros, mas os seus afluentes pouca gente conhece. Sem cuidar, para que todos os afluentes continuem sendo rios perenes, o rio São Francisco vai sofrer bastante. Não conheço nenhum projeto de deputados ou senadores em defesa desses rios afluentes do São Francisco. São eles:
À margem esquerda os afluentes são: rio Paracatu, rio Urucuia, rio Carinhanha, esse divide Minas com Bahia, rio Corrente e rio Grande. À margem direita são: O rio das Velhas, rio Jequitaí e rio Verde Grande. Todos estão poluídos e pedem socorro.

Vou transcrever uma poesia de cordel escolhendo em cada pagina do livro, uma estrofe. O título desse cordel, já esgotado, é: A MORTE DO VELHO CHICO.

Meu Velho, meu Velho Chico,
Quem te viu e quem te vê!...
Não dá mais para acreditar!
Quem quiser te conhecer,
Pois esqueceram de ti,
Tão magro como um faquir
De ti querem esquecer.

Onde está o Velho Chico
Com seus navios a vapor?
Acabou-se o turismo
E o povo dispersou
Em busca de um bom emprego,
Pois aqui virou degredo
E a seca tudo acabou.

Se esse rio morrer
Morre o povo do sertão
Tudo aqui vira deserto
Culpa da desmatação.
Esgotos podres a jorrar,
Tantos lixos a amontoar
Sem nenhuma correção.

Quem desviar o rio
Pros estados nordestinos...
Mas quem vai ganhar na história?!
São as empresas dos sovinos;
Os protetores vêm à tona,
Todo lado já se soma
De homem, mulher e meninos.


Convido os ecologistas
Para juntos defendermos
Um rio tão rico que é
Tão desprezado à ermo!
Querem até privatizar
Pro estrangeiro mandar
E ao ribeirinho sem termo.

Não desmatem a natureza!
Preservem o ecossistema,
Amem os rios e não depredem
Acabem esse sistema
De uma política assassina,
Que deixa os rios com má sina,
Basta de tantos problemas.

As margens esquerda e direita
Do nosso rio Gigante,
O Velho Chico valente
Chora triste sem amante;
Lá na Serra da Canastra
O fogo queima e se alastra
E cadê o Comandante?..

O Comandante sumiu
Pra querer globalizar,
Não aparece há um século
Querendo privatizar.
Tudo o que há no Brasil
Até nossa cor anil
Do nosso céu quer mandar.

Bem-te-vi não canta mais
Na beira do São Francisco!
Tudo virou uma tristeza:
Comida já virou risco;
Tudo está envenenado,
Vai acabar nosso gado,
Não há pasto, só há cisco.

Os peixes já estão escassos,
Muitos estão em extinção
É a gula do guloso
Que não tem a luz da razão;
Na piracema ele pesca,
Há ignorância à beça,
Porque não há punição.

Aqui estão algumas estrofes desse cordel.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SOS São Francisco.


S.O.S SÃO FRANCISCO.

Texto de Honorato Ribeiro.

O rio São Francisco cada vez mais está ficando seco e cheio de “coroas” provocado pelos entulhos e enxurradas em tempo das chuvas. Sem a sustentação que as árvores davam nas margens direita e esquerda, estas foram cortadas e o barraco, de um lado e outro, vai ruindo e enchendo o rio de entulho ficando este, sem canal de passagem das lanchas e até mesmo canoas. Há trechos que poderá atravessar com água na canela. Estão fazendo a transposição, e calaram a voz de Dom Luiz com seu protesto de fome. Não fizeram dragagem nenhuma e nem plantaram árvores à suas margens para sustentação dos barrancos.
Aqui, na cidade de Carinhanha-Ba, estão fazendo transposição para levar água do rio São Francisco ao município na zona rural nos seguintes povoados: Estreito, Marrequeiro, Vila São José, Agrovila 15, Agrovila 16, Agrovila 23, Canabrava, Aguada do Meio, e Núcleo, Faz parte do PAC, (Programa de Aceleração do Crescimento), A CERB que acompanha e o pacto Projeto e Obras LTDA é a empresa responsável pela obra de transposição. Esta é a primeira etapa já em andamento em termo final.

Do lado direito do rio São Francisco vão fazer, também transposição para as seguintes cidades baianas: Julião, Município de Malhada, Palmas de Monte Alto e Guanambi. As tubulações já chegaram e estão armazenados em Julião. Guanambi sofre a falta de água há muitos anos, pois lá não há rio. Ela fica distante do rio São Francisco 120km. Não sei se o rio São Francisco com tantas transposições irá ser o mesmo rio perene, pois, aqui, havia duas lagoas paralelas ao rio: LAGOA DA TEREZA E LAGOA DA PASSAGINHA desapareceram. Não sei se já houve um estudo sobre a possibilidade de não prejudicar mais o VELHO CHICO pelo o estado em que se encontra. É preciso que tenha, entre os políticos, muita prudência. Porque se o rio desaparecer, com ele desaparecerão todos ribeirinhos; pois ele é vida que dá vida e sem água não há vida.
Vou transcrever uma paródia que fiz (Por que não Falar das Flores de Geraldo Vandré),  (Caminhando e cantando).do meu livro: VENHA CONHECER O VELHO CHICO.
PARÓDIA. De Honorato Ribeiro dos Santos.

Navegando e cantando
Com amor e união,
Somos todos unidos
Com grande emoção,
Nas cidades os grupos
Unidos estão,
Na defesa dum Rio
Que pertence à Nação.

    CORO.

Vem, ó gente forte,
Defender o Velho Chico,
Não deixe se acabar
Na nação um Rio tão rico. Bis.


Pelas margens navego
E vejo plantação;
Pouca chuva e a seca
Mata sem compaixão,
Ida derribam as matas
Pra fazer carvão
E as coroas invadem
Secando o Chicão.

Há tristeza nos olhos
De jovens irmãos
Quase todos sofrendo
Sem armas na mão  (Sem tecnologia).
Nas cidades esse Rio
Não tem proteção,
Pois seu povo polui
Sem nenhuma razão.

Somos todos iguais
Com grande decisão,
Nas escolas e nas ruas
Damos grandes instruções,
Na defesa do Rio
Da maior integração,
Caminhando e lutando
Contra a poluição.

O desejo na mente
E a cultura na mão,
Somos jovens valentes
Com muita união,
Aprendendo e ensinando
Amar essa Nação
E esse Rio que é tão bravo
Que nos dá vida e pão.

Do livro de poesias, VENHA CONHECER O VELHO CHICO
de Honorato Ribeiro dos Santos. (Ed. Esgotada)..

terça-feira, 21 de setembro de 2010

APÓLOGO DO VIOLÃO E O FUZIL.



Do livro, 1º volume, da história de Carinhanha de Honorato Ribeiro dos Santos.

Essa é uma história dos tempos dos coronéis que, desde 1912 a 1930, que conta a verdadeira intriga e rixas políticas, onde a arma para o combate era o fuzil. Depois  veio a paz. Com a chegada da paz apareceram os grandes músicos de violão, sendo o primeiro o mestre João Viana solista de violão clássico. Apareceram os grandes violonistas seresteiros: Zé Padeiro, Domingão, Eduardo Jacu, Zé de Patrício, Augustinho, Vavá, seu irmão, Bráulio, e seu irmão Paulo Barral, Marquinho e Eidinho.

Certa vez, um violão com saudade das belas serestas foi convidar seus companheiros para se alegrar um pouco e aproveitar o lindo céu estrelado de lua cheia para a alegria de quem gosta de ouvir, do seu leito, as lindas melodias. Convidou: o cavaquinho, Bandolim e o pandeiro para se alegrar um pouco pelas ruas da cidade. Mas, quando ia passando pelo “Beco do Pega” levou um susto danado, logo se tranqüilizando, quando reconheceu quem era. Chegando perto disse: Boa noite, meu amigo fuzil!...Que faz aí nesse recanto, tão triste e taciturno?!
-Só posso ficar triste e taciturno, solitário, pois em toda minha vida nunca fiz o bem a ninguém; pelo contrário: matei muita gente e escorracei muitas pessoas filhos dessa terra.
-Ora, meu amigo, se você ficar aí e não aproveitar esse luar tão lindo continuará sempre triste. Por que não vem comigo alegrar um pouco?
-Não posso, meu amigo. Quisera eu, mas o castigo me persegue e minha consciência é muito pesada cheia de remorso. A ferrugem me invade todo o meu corpo; comendo-me como um câncer.
-Por que deixou que a ferrugem lhe atacasse assim?
-Fui um instrumento do mal. O que poderia vir para mim senão o mal?...Você tem razão de viver alegre, pois sempre fizera aos outros sentirem alegria. Eu, pelo contrário, só pratiquei o mal. Não tenho mais pernas para andar. Não dou mais aquele ronco, que fazia medo à muita gente; tudo, agora em mim, está corroído pela ferrugem; sou apenas um pedaço de ferro inútil.
-Então, já que você não pode vir comigo alegrar-se um pouco, vou me despedir. Até outro dia.
-Vou lhe fazer um pedido: Quando estiver com os seus companheiros cantando, não deixe de cantar para mim essa melodia: SHALON, pois ela me faz esquecer minhas maldades e aliviar-me um pouco o corroer dessa ferrugem.
O violão atendeu ao pedido e o fuzil adormeceu eternamente.
Na lousa escreveram: “Aqui jazem os restos mortais de quem não quis a PAZ”.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

BRASIL DE CARNE E OSSO.




Poesia de Honorato Ribeiro dos Santos.

Quanta riqueza, quanta beleza!
Nas matas do meu Brasil!
Que rios, que fontes, que cachoeiras!
Que céu tão estrelado e cor de anil!

Temos climas bem variados,
No Norte, no Sul, no Sertão,
No Amazonas, no serrado,
No Centro-Oeste, no Maranhão!

Mas o Meio Ambiente é agredido
Num ato tão criminoso e sem coração
E a Mãe Natureza sofre grande dor
E não tem nenhuma solução.

No Congresso se luta pelo poder
Não veem o abismo  chegando
E a natureza revoltosa mostra
A força que tem, estão lhe obrigando.

A mudar o rumo das coisas,
Que ninguém está preocupado
Pois o capitalismo e consumismo
Deixam cegos nos tronos ocupados.

A sociedade está desorganizada:
Em várias classes sociais,
Dos miseráveis, pobres e classe média
E a rica de riquezas acumuladas ilegais.

Por causa disso há assaltos,
Seqüestros e todos encurralados
Com medo da “Besta Fera ferir”,
Com  neurose e estresse estão marcados.

Somos ricos, porém de espírito pobre,
Pois o individualismo é constante,
Exploram-se do homem máquina,
Esqueceram-se de ser semelhantes.

O mundo anda se despencando
Afundando-se para o abismo final,
Pois quem destrói a ecologia
Receberá a resposta, letal.

FIM.  15-09-2010.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

AMAI UNS AOS OUTROS.


Texto de Honorato Ribeiro dos Santos.

A maior mensagem que Jesus transmitiu aos seus discípulos foi essa:" DOU-VOS UM NOVO MANDAMENTO: AMAI UNS AOS OUTROS. COMO EU VOS TENHO AMADO, ASSIM TAMBÉM VÓS DEVEIS AMAR-VOS UNS AOS OUTROS. NISTO TODOS CONHECERÃO QUE SOIS MEUS DISCÍPULOS, SE VOS AMARDES UNS AOS OUTROS". (Jo 13, 34-35). Essa é a mensagem de vida para todos cristãos. Ora, se esta é a mensagem de Jesus, por que muitos que se dizem cristãos vivem em competição, em polêmica, em rixas bobas, discutindo, ofendendo, desfazendo do outro por idiologia religiosa? Afirmam que a sua igreja é a certa a do outro não presta; meu time é bom, o seu não presta; meu partido político é melhor que o seu...(...). Se o marido é católico e a esposa é evangélica não se falam de Cristo ou de religião, em casa, senão vira polêmica. Não rezam juntos. Ambos ficam mudos, a fim de não haver brigas por causa de idiologia de igreja. Eu tenho um amigo que era católico e mudou para ser evangélico. Tudo bem. Todo mundo é livre de opção e seguir o caminho que quiser. Mas é que ele chegou para a sua mulher e forçou-a ser de sua igreja. Entrou no quarto e quebrou as imagens, terço dela e jogou no lixo. Ela entrou em choque muitos dias chorando, mas para não desagradar ao marido, aceitou a mudança. Ele cometeu dois erros gravíssimos: deixou de amar a sua esposa, pois quem ama respeita o livre arbítrio do outro; segundo erro: desrespeitou a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA que em um de seus artigos afirma a liberdade religiosa para todos sem exceção. Nesse caso a sua esposa não teve essa liberdade. Jamais Jesus afirmou ou encontramos na Bíblia, que mudando de igreja seremos salvos, ou fazemos mais a vontade de Deus do que os outros de outras igrejas.Mas a proposta de Jesus é: Amai uns aos outros como eu vos amei. Jesus pregou o amor, a justiça, o perdão, a solidariedade, a amizade, a servidão. Ele pregou o Reino de Deus não idiologia religiosa. Quem quer ser cristão, seguidores de Cristo, tem que ser como o bom samaritano, como o pai do filho pródigo. Existe muita gente que se diz religioso cristão e faz às vezes do farizeu. Leia com atenção essa passagem que Cristo contou. "Subiram dois homens ao templo para orar. Um era  fariseu e o outro era um publicano. O fariseu orava assim: " GRAÇAS  TE DOU, Ó DEUS, QUE NÃO SOU COMO OS DEMAIS HOMENS: LADRÕES, INJUSTOS E ADÚLTEROS; NEM COMO O PUBLICANO, COBRADOR DE IMPOSTOS, QUE ESTÁ ALI. JEJUO DUAS VEZES NA SEMANA E PAGO O DÍZMO DE TODO OS MEUS LUCROS". O publicano, cobrador de impostos, porém, mantendo-se à distância, não usava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó DEUS, TEM PIEDADE DE MIM, PORQUE EU SOU UM GRANDE PECADOR".(LC. 18, 9-14). Jesus nos ensina a sermos humildes, pacíficos e não arrogantes, achando que mudando de igreja que estamos salvos e os outros não.  A gente tem a tendência sempre de criticar dos outros, achando que seu ponto de vista é o certo; que sendo de tal igreja que é melhor do que outrem. Quem conhece todos os ensinamentos de Jesus Cristo e vive, esse é a igreja viva de Cristo, pois Ele é a cabeça, a pedra fundamental dessa igreja, não de pedra e não instituição. Devamos ser ecumênicos, isto é, amando uns aos outros sem preocupar por idiologia religiosa de igreja tal e tal. A nossa missão é transformar o mundo em REINO DE DEUS. Foi isso que Jesus pregou e disse: " O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS". E o que é Reino de Deus senão viver em paz com todos, ser solidário a todos, amigos de todos sem preconceito racial, social e religioso? Todos têm o livre-arbítrio de viver conforme a sua formação ética e moral religiosa. Quem segue a Jesus não entra em polêmica com ninguém; que seja na política, no futebol e em religião. Igreja não salva ninguém e sim a vida plena seguindo os ensinamentos de Jesus. Ser missionário da palavra e ser orante dia e noite. "Vigiai, pois não sabeis a hora". É verdade, somos aqui estrangeiros. A nossa pátria é o REINO DOS CÉUS. Para isso devemos dar de comer quem tem fome, dá de beber quem tem sede, dar roupa para quem não tem, dá pousada a quem não tem,visitar os doentes e os presos. Essa é a nossa missão, pois Jesus disse que quem fizer isso está fazendo a Ele. O mundo precisa do amor, pois está doente e carente por falta dele. Se obedecessem o amar uns aos outros não haveria lar desmoronados e divórcios, pois é a falta de amor é que os lares não são autênticos. São uma verdadeira TORRE DE BABEL. É do lar que sai o santo e o assaltante, o criminoso, o marginal. Para terminar digo-lhes: Eduque a criança e teremos um mundo melhor: Reino de Deus.
Um forte abraço.
Honorato Ribeiro dos Santos.