WENCESLAU,
O VIOLONISTA.
Conto por Honorato Ribeiro.
Contaram-me essa história para
mim, há muitos anos, mas irei contar do meu jeito.
Wenceslau morava numa cidade do
interior e ficou famoso por ser um excelente violonista e cantor. Todas às
vezes que havia uma festa de casamento, aniversário ele era convidado especial
para animação de todos que o aplaudiam. Mas ele não recebia dinheiro nenhum de
ninguém. Só a fama de músico bom e cantor. Mas houve um casamento de uma moça
rica e enviou-lhe o convite. No dia do casamento ele foi bem vestido até de
gravata. Chegou à casa, onde já havia muitos convidados, e o casal recebendo
presentes e parabéns. Wenceslau aproximou-se dos dois recém casados e deu-lhes
os parabéns. Quando observaram que o Wenceslau estava sem o violão,
disseram-lhe: Oh! Wenceslau, cadê o violão?
-Não trouxe, não.
-Vá buscar, Wenceslau.
Então Wenceslau foi para a sua
casa. Chegando lá, mudou-se de roupa, vestiu o pijama e deitou-se numa rede, e
chamou seu sobrinho:
Manoel, venha cá. O sobrinho chegou
e Ele disse-lhe: Vá lá à casa da festa de casamento e entregue esse violão. Manoel
foi. Ao chegar lá, entregou para o recém casado o violão dizendo-lhe: Olha,
aqui, o violão que meu tio mandou lhe entregar.
E cadê seu tio?
-Ficou lá deitado numa rede.
-Ele não vem?
-Não sei lhe dizer.
Então resolveram ir à casa do
Wenceslau saber o que estaria acontecendo com ele. Ao chegar, encontraram-no deitado numa rede e
lhe perguntaram:
-O que aconteceu, Wenceslau?!
Você apareceu e veio embora!
-Bem amigos, eu recebi um convite
para ir à festa de casamento e fui. Mas, quando eu cheguei lá, exigiram o
violão. Eu entendi que o convite era para o meu violão e não para mim. Voltei
para minha casa e enviei-lhes o violão. Que o violão toque boas canções e lhes
satisfaçam aquele que foi convidado. Não fui eu, não é mesmo?
-Mas ninguém sabe tocar! Somente
você, Wencerlau!
-Não, amigos, eu não sei tocar e
nem sou famoso e querido, mas sim, meu violão. Portanto, o homem deva ser
valorizado o seu eu, mesmo sem o violão. O violão sem o homem não tem valor
nenhum. E ele só tem valor para quem sabe tocá-lo. E quem sabe tocá-lo sem ele
não toca. Assim é o valor que deverão dar à pessoa humana. Violão, violonista
um é um ser inanimado e o outro é um ser animado. Os dois juntos fazem melodia
e harmonia para dar alegria a todo ser, dando a alma um afeto através das
harmoniosas cordas arpejadas por quem aprendeu a música. Boa noite e ouça o som
do meu plangente violão. E dê-lhe uma taça de vinho.
Não é assim que acontece com o
músico amador? Eu já tive um grande cartaz aqui na minha terra, quando jovem e
depois de casado por ser famoso seresteiro e tocador de violão. Os tempos foram
se transformando e eu ficando de idade e a luz elétrica impediu a gente ver a
noite enluarada, pois a luz elétrica não deixa a gente ver a lua nem aquele
caminha de São Tiago e as estrelas a piscarem como se estivessem alegres
ouvindo a minha seresta com meu violão e a minha voz cantando canções de
compositores famosos até que a barra do dia vinha apontando avisando que a
noite acabou e o dia vinha amanhecendo com raios avermelhados. Mas, tudo se
acabou; e tudo virou vandalismo e dizem que tudo é natural. Mas como disse Ruy
Barbosa, que haveria tempo que o homem
ria-se da vergonha a ter vergonha de ser honesto. Mas irei navegando com fé e
coragem em sendo eu aqui e depois da minha partida desta estada, serei o mesmo
eu. E sou insubstituível. Temos de saber viver consigo mesmo e com os outros.
Não vivemos sozinhos, mas sempre um depende do outros. A sociedade é formada
por várias classes sociais. Cada uma depende do outro e ninguém vive sem o
outro; do varredor de rua, cozinheiro,
padeiro, marceneiro, enfim, todos os
operários e quem é formado em outras
profissões. Somos um conjunto de indivíduos servidores profissionais, mas
sempre a servir com a mor à profissão que exerce.