sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O REINO DOS CÉUS É JESUS.

O REINO DE DEUS É JESUS.
Texto de Honorato Ribeiro.

Jesus ensinou em parábola, a fim de que os que O escutassem, colocassem a mente para raciocinar e descobrir a incógnita. Jesus explicava para os discípulos e apóstolos o que Ele falava em parábola. Ao povo e aos doutores da Lei, fariseus e escribas, Jesus não explicava o que Ele estava falando em parábola; como até hoje, nós, os leigos não entendemos e queremos entendê-las ao pé da letra.
Vou citar as parábolas que estão no evangelho de Mateus: “PARÁBOLAS DO REINO”. O semeador, o joio, o fermento, o grão de mostarda, o tesouro, a pérola e a rede, parábola do servo cruel, Parábola dos operários da vinha, parábola dos dois filhos, parábola dos lavradores homicidas, Parábola da festa das bodas, a parábola das dez virgens, parábola dos talentos todas elas Jesus começa falando: “O Reino dos céus é semelhante”:...(...). Quando Ele não fala no começo, afirmando que o reino dos céus é semelhante a, no final se vê que a conclusão é exatamente o que é o REINO DOS CÉUS. E o que é reino dos céus? É o próprio Jesus. Ele é o Reino dos Céus, a comunicação de Deus aos homens, é a PALAVRA que liberta-nos da escravidão do sistema econômico e político que são um jugo pesado aos consumidores e a massa operária. Ele nos trouxe o Projeto do Pai e nos ensinou a viver nesse reino, pois o Novo Adão é Ele, que aceitou vir nascer como um ser humano, vivendo e sentindo tudo que o ser humano possa sentir: sofrer, padecer e morrer, mas optou para a árvore do bem, embora tendo a do bem e a do mal, mas não soubera pecar. Fizera a vontade do Pai. Sendo Ele o Reino dos Céus, deu-nos esse Reino para que nós pudéssemos viver como Ele viveu: Em obediência ao Pai: “Seja feita a vossa vontade” como rezamos no Pai Nosso. Ele afirmou-nos: “O Reino dos céus está dentro de vós”. Cada cristão tem dentro de si O REINO DOS CÉUS, que é o próprio Jesus. São Paulo afirma: “Já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim”. Ele exortava os cristãos de sua época: “Seja meus imitadores como o sou de Cristo”. Ele não exortava ninguém afirmando: Sejam imitadores somente de Cristo. Porque ele, Paulo, vivendo igual a Cristo e, sabendo que o Reino dos Céus estava dentro de si mesmo, que era Jesus, portanto, o imitando estaria imitando a Jesus.
Hoje o REINO DOS CÉUS está sendo expulso das escolas, da educação e dos lares não autênticos. Não há mais ensinamento religioso ou a mensagem do Cristo nas escolas. E é exatamente ao ser expulso, que ninguém entende ninguém, não há respeito ao outro. A ética e a moral estão desaparecendo: Professor sendo agredido, morto nas escolas por alunos; pai sendo morto por seu filho por causa da herança – o filho pródigo – não se arrepende e não volta à casa do pai. Há pai, também, que estupra a filha, o marido bate na esposa e até mesmo assassina. Nos lares faltam nascer o REINO DE DEUS. No Congresso não se fala mais o nome de Deus, mas polêmicas e corrupção. E se falar, é um Deus de sua ideologia política criada em suas mentes corruptíveis. Não é o DEUS ensinado por Jesus. As leis são legisladas para que eles se enriqueçam com um salário absurdo, dinheiro que é os impostos do povo que não é respeitado; enquanto os trabalhadores são desrespeitados nos seus direitos de viverem dignamente como seres humanos. Ninguém vive dignamente com o salário mínimo: VEGETAM. Então, onde está o REINO DOS CÉUS? Todos se preocupam com a política econômica, mas sucateiam a cultura e a educação: faz de conta que ensinam, faz de conta que aprendem. É essa a realidade de hoje, nessa terra que foi chamada de VERA CRUZ, pois, sem a mensagem do Mestre dos mestres essa Nação não é viável e nem soberana: Poucos ricos têm de tudo; muitos não têm para sobreviver.
Aqui está a fonte da compreensão e dos ensinamentos Cristológicos do Mestre dos mestres, Jesus Cristo, que se fez homem, viveu como homem e, ressuscitando, destruiu a morte pela sua ressurreição Ressuscitando deu-nos nova vida ressuscitando-nos para vivermos eternamente no REINO DOS CÉUS.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Meus contos ecológicos.


MEUS CONTOS ECOLÓGICOS.

Honorato Ribeiro dos Santos.

O João de Barro.

Quem ensinou João de Barro conhecer previsão do tempo? Eu posso até afirmar e confirmar que foi o mesmo que lhe ensinou a construir a casa. São todas iguais as casas do João de Barro. Ele é socialista, talvez seja comunista com as mesmas ideias de Carls Marx. Sabe por quê? Suas casas têm o mesmo formato...
O João de Barro quando prevê que o período da chuva bate o vento do poente, ele faz a sua casa com a boca virada para o nascente. Ele avisa a todos e todos lhe obedecem. Ninguém protesta. São todos unidos. O mais importante da sua arte e arquitetura é que nem o tempo, chuva, vendavais não destroem a sua construção. A árvore poderá ser arrancada pelo vento, mas a sua casa, não. João de Barro faz me lembrar de Oscar Neymaier. Veja a sua arquitetura em Brasília: Todos os prédios são iguais em formato arquitetônico. João de Barro para mim é comunista ou socialista. As idéias são parecidas até em seu canto: todos cantam a mesma melodia onomatopaica e a mesma filosofia de vida. João de Barro é o maior engenheiro ecológico que conheço. A sua casa para ser resistente não precisa de cimento, vergalhão, alvenaria, cal... É puro barro. Não precisa de papel para desenhar sua casa – planta – colher, nível, régua, prumo...
Dizem que ele é muito ciumento com a fêmea, pois, quando ele cisma, coloca-a presa na casa e constrói a porta com o próprio barro e a deixa presa até morrer. Pode sê-lo malvado, mas é um grande arquiteto. O homem, com sua vaidade e egoísmo, quando encontra uma casa de João de Barro, arranca-a e leva-a para enfeite de sua casa. João de Barro se quiser morar, que faça outra casa. E ele faz do mesmo jeito e da mesma resistência e arquitetura.

O BEM-TE-VI.

Sabe quem gosta bastante de bem-te-vi? É o vaqueiro Sabino. Sabino fica horas a fio olhando o bem-te-vi sobre o dorso do seu cavalo catando carrapatos. Caminha placidamente no lombo do cavalo até a cabeça e cata um por um carrapato que se cuide. O bem-te-vi olha e vê as orelhas do animal quadrúpede cheias de carrapatos e ele almoça satisfeito. Mas quem fica mais satisfeito é Sabino, pois não precisa comprar carrapaticida para acabar com os carrapatos do seu cavalo. Seu amigo bem-te-vi é bem melhor do que a droga química vendida aos criadores de gado. Quem gosta também é o cavalo de Sabino. Ele acha que bem-te-vi é carinhoso. Cada bicada do bem-te-vi é um carinho gostoso; bem melhor do que comer capim.
Que lindo é o canto do bem-te-vi! Ele canta chamando o seu próprio nome. Todos repetem a mesma melodia. Como eles são unidos até no cantar! Todos cantam a mesma melodia e comem carrapatos ainda fazem carinho coçando o animal. Mas quando surge o gavião para o atacar ele faz piruetas no ar, ziguezagues escapando do gavião e Sabino que vê a malandragem e a esperteza do bem-te-vi  “passando mel na boca do gavião” e Sabino, satisfeito rir à beça.
Gavião faz parte do ecossistema, pois ele come serpente que come rã, e jia. Mas bem-te-vi como insetos nocivos que atacam a lavoura e animais. Mas o vaqueiro Sabino, que não sabe ler, sem querer e sem saber usa agrotóxico que mata animais nocivos à lavoura, mas pode, também, matar os bem-te-vis.
Para mim o bem-te-vi estudou música de Pixinguinha ou de Altamiro Carrilho, pois tem gosto suave e melodioso de um chorinho bem brasileiro. Não é à toa que gravaram “Bem-te-vi Atrevido” que é um choro acompanhado por violão de sete cordas, cavaquinho, pandeiro, solado por flautista como Altamiro Carrilho. Os poetas amam a natureza; os compositores também. Todos são ecológicos e compõem músicas populares e eruditas com nome de pássaros como: Tico-tico no Fubá, choro alegreto... “Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho”... Que coisa linda! Assum Preto, Asa Branca, pois, cada um com seu canto onomatopaico cantam e alegra a floresta que é seu habitat.

SAPO CURURU.

Uma casinha de taipa com cobertura de palhas de coqueiro, à beira do Velho Chico, ao lado um gigante pé de jatobá, morava um pescador solitário, apelidado por Caçote. Ele era aleijado e suas pernas eram cruzadas uma a outra como se ajeita para assentas-se ao chão. Andava com as mãos servindo-lhes de pés e o seu tronco suspenso a balançar com o movimento do andar com uma habilidade incrível. Trabalhava como pescador. Mergulhava e nadava bem. Conhecia bem o rio da Unidade Nacional e vivia da pesca. Sua vida era sentado no piloto de sua canoa a pescar de anzol. Pescava de caceia noite e dia. O seu tronco era de uma figura forte. Quando estava sentado ninguém percebia que ele era aleijado. Eu o conheci e me lembro dele.
À noite, céu estrelado, lua clara mostrava o grande tapete natural dormia placidamente o Velho Chico; enquanto a sua canoa deslizava serenamente; e os sapos, batráquios cantadores repetiam-se harmoniosamente o dobrado em fá maior, onomatopaico, que rasgava noite adentro, numa sinfonia de Beethoven como numa sonata em fá maior....
Mas o guru, maestro cururu regia com naturalidade como quem conhece bem partitura de cor com sua batuta regia os outros anuros. Começou a peça com o contrabaixo, depois, suavemente soaram o violoncelo, a marcação, o barítono, os pistões, o bombo, a caixa e os demais instrumentos que se compõem a orquestra de câmara são ouvido pelo pescador Caçote todas as noites de pescaria. O prato soa forte, quando sai do “andantino” pelo forte som de presságio da coruja, ave noturna. Os sapinhos com sua flauta, pistão, clarinete completa toda a harmonia, ora piano, ora pianíssimo; ora forte, ora fortíssimo com a entrada dos grilos que enchiam em tons diversos a completar, oficialmente a sonata da noite.
Caçote que é homem batizado e sacramentado, talvez trouxesse o nome de Francisco, e não fora conhecido por Chico pescador, mas Caçote. Lá estava sentado no piloto de sua canoa descendo rio a baixo a puxar a linha pra lá e pra cá a espera de o peixe fisgar escutando a melodia onomatopéica em concerto sinfônico e não tinha sono. De olhos arregalados para a planície das águas do Velho Chico; pacientemente esperava a hora certa para fisgar o peixe. Ele conhece bem o timbre de voz de cada batráquio. Olha para o céu estrelado, encanta-se com a lua qual um poeta, e sorrir contente. Ele ouve a voz do socó boi, que da moita entoa a sua harmonia noturna.
A barra do dia vai chegando e o céu se torna avermelhado. Naquele momento ele sente o puxavão forte e puxa a corda e sente que fisgou um grande peixe, quase lhe arrancando o braço: é um enorme surubim. Caçote, com habilidade de sempre, vai cansando o peixe até dominar por completo e retira d`água e coloca em sua canoa. Volta pra sua casa com sua riqueza, pois o surubim é de dez palmos; vai dar bom dinheiro vendendo aos moradores de Carinhanha.
Gaivotas, mergulhões e outras aves ribeirinhas voam livres cantando e dando seus voos rasantes quase beijando o Velho Chico. Caçote sabe que tem de descansar, pois não dormiu à noite, mas recorda de ter ouvida a sinfonia noturna com a batuta do maestro sapo cururu. A única coisa que Caçote aprendeu foi agradecer a Deus por ter o dom de saber pescar, em sendo aleijado, mas se sente sadio e não tem inveja de alguns sem aleijo não saber fazer o que ele faz: nadar, mergulhar, remar e pescar.


ASSUM PRETO.

As musas inspiram os vates nordestinos que gritam e bradam fortemente à defesa do bem comum e da ecologia; e buscam em seus versos madrigais e épicos e fazem a sua prosopopéia do sertão nordestino, onde o sol queima e a chuva escassa e o lavrador sua suor de rios; e com mãos postas aos céus reza rogando a Deus proteção.
Os poetas versejam e convidam os compositores para musicarem os seus versos, a fim de conscientizar o povo, cujo povo depreda a natureza, Luiz Gonzaga, o Rei do baião e Humberto Teixeira, que em seus versos contam a depredação ecológica da mãe natureza. É com esses versos que a gente conhece a maldade humana a chegar ao pico mais desumano ao furar os olhos do assum preto, para que ele cante melhor. Ele não canta, chora de dor e se sente injustiçado, indefeso, numa gaiola tirando-lhe a sua liberdade de voar e de cantar com seus olhos perfeitos. Ele chora, lamenta, clama por justiça e pergunta: “Que crime cometi para prender-me nessa maldita gaiola? Que crime cometi para furar o meus olhos? Quão maldade chegou o homem para cometer um crime me transformando num cego forçado a cantar para agradar o seu egoísmo?! Acham até bonito eu cantar por ter os meus olhos furados! Mas eu não canto, choro.”
A jumenta de Balaão, também lamentou a maldade daquele profeta, O profeta entendeu e não mais maltratou a sua jumenta.
Um dia, alguém que tivera pena de mim e abriu a gaiola e me soltou. Mas eu não soubera voar. Voar para onde? Bem dizia Carlos Drumonnd: “E agora, José? Você quer morrer, mas não morre”. Eu quero voar, mas não vôo. “Você, José, quer ir para Minas, mas não existe Minas”... Mas, eu, Carlos Drumonnd, estou cego. Não vejo, não vejo a luz do sol e nem meu habitat; não vejo as estrelas lá no céu! Até as árvores que eu pousava e fazia o meu ninho, não as vejo mais. Dizem que não existem mais... Tudo virou carvão! Desejei, agora, Carlos Drumonnd,  ter os olhos de José para eu, “com a chave na mão abrir a porta”. A minha existe, Carlos Drumonnd, só que eu não a vejo, mas José a vê só não tem o direito de abri-la e entrar e se agasalhar. A culpa não é de Luiz Gonzaga e nem de Humberto Teixeira. Luiz Gonzaga fez sucesso com sua sanfona branca cantando e contando que furaram os meus olhos. Só que ninguém pode me socorrer e eu voltar a enxergar. Fizeram injustiça com José!? José que é semelhança de Deus! Eu não sou humano. Se fizeram com um humano, quiçá continuarão fazer comigo! O homem tem que se conscientizar para respeitar os direitos dos outros a viver em paz. Deixar que a natureza seja um presente que Deus lhe deu e tem que ser preservada com amor e carinho. Carlos Drumonnd, por que você não fez um verso pra mim? Pobre de mim, assum preto! Você ficou respeitado e se eternizou. Possa ser que meus irmãos não fiquem cegos para poder cantar e agradar o egoísmo do homem fera, que fere sem razão. Eu, assum preto, sou um cego sem razão de sê-lo pela maldade humana. Cante, Luiz Gonzaga seu CD; cante assum preto; o Brasil todo gosta dessa canção triste.





O URUBU.

Todo urubu nasce branco. Mas ele não mata seu filho, pois não tem preconceito social; não tem preconceito à sua raça negra. Todo urubu é preto e come carniça. Mas todo urubu sente-se feliz de ser carniceiro. Ele sobe à grande altitude para de longe enxergar quem morreu para ele comer; é seu almoço. Ele é funcionário público da limpeza; onde os civilizados cometem poluição do meio ambiente. Os homens antiecológicos não gostam de urubu. Até fizeram um choro com o título: “Urubu Malandro”. Mas o urubu não gosta do título e protesta: “Eu não sou malandro. A minha missão é fazer limpeza. Os restos mortais que os homens desprezam o que para mim, é prato delicioso de hotel de Cinco Estrelas. Não tenho o que me queixar. Sou feliz; até que faço parte da história da humanidade e do livro sagrado: A BÍBLIA. Aliás, em se tratando de respeito à vida, eu não faço guerra a ninguém e tampouco mato o meu semelhante para comer. O que eu como é aquilo que é desprezado pelo ser humano. Eu como os restos mortais que o homem matou.”.
“A Mídia anunciou que, lá na índia, onde a fome grassa incomensuravelmente, e não se pode comer carne de vaca, e muitos morrem de fome; muitos não são enterrados e para mim é prato do dia. As revistas fizeram manchetes e eu posei para a foto, quando uma criança chorava de fome. Enquanto ela chorava fraquinha, que mal dava para eu ouvir, eu estava perto dela esperando-a morrer, para que eu pudesse comê-la. E eu a comi. Fiz limpeza, mas o homem não me agradeceu. Fez sensacionalismo jornalístico. Dá muito dinheiro e fama. Quem tem culpa de a sociedade ser desorganizada?! Em toda a terra há abundância, riqueza supérflua e deixa a morrer de fome seus semelhantes. Nós urubus não morremos de fome. Eles dizem que são democráticos e religiosos. Não aprenderam nada do Grande Mestre. São todos hipócritas. Mas, digo eu: Que bom ser hipócrita e sobrar comida pra mim! Sou egoísta? Não. Não o sou. Nasci para comer restos mortais. Sou a limpeza da terra. Não são felizes; eu sou. Estão estressados, encurralados nas suas próprias casas... Pagam segurança e põem cadeados no portão; há câmaras espalhadas por todos os lados, mas morrem. Eu só lamento eu não poder comê-los, pois são enterrados em cemitério. Mas há muitos que são colocados para estudos de anatomia; fazem dissecação no cadáver para estudo cirúrgico.”
“Quando houve o dilúvio, eu estava lá na barca, que Noé fabricou”. Quando as águas começaram a abaixar, Noé me soltou e eu encontrei muitos cadáveres. Foi um prato bom para eu saborear. Esperaram-me e eu não voltei à barca, pois tinha comida de sobra. Mais urubus que houvesse. Mas até hoje ninguém me agradeceu pela limpeza que fiz. Agora, eu não. Agradeço todos os homens por não construírem gaiola para me prender. Sou livre, mas do que eles. Não tenho casa e dizem que sou preguiçoso. Não sou. Para que construir casa para o homem roubar, derribar a árvore, casa e tudo!? Bobo é o João de Barro, que faz sua casa e arrancam para enfeitar a sala de visita. Os homens são assim egoístas e destruidores. A abelha passa meses para fabricar o mel, seu sustento, eles roubam tudo e vendem por bom dinheiro. Deixe-me viver como o sou: urubu carniceiro e fedorento, mas sou feliz.

O AVESTRUZ.

            O homem inventou um instrumento de consumo do lar: O espanador. Ele tem um cabo de madeira torneada, envernizada e composta de penas de avestruz. Mas para ter de fabricar centenas de espanadores terá de ter muitas penas de avestruz. Para se adquirir as penas, terá que caçar avestruz e abatê-la. Não só dá lucro ao vender as penas, mas os ovos e a sua carne. Não importa a depredação ou até mesmo a sua extinção. O mais importante é o bom negócio para ganhar dinheiro. Quem é mercenário pensa e age assim. Não importa o futuro, o presente. É tudo para o mercenário; lucro.
            O avestruz é uma do ecossistema. É a guardiã dos fazendeiros, pois ela se alimenta de serpente. A cascavel pica o gado, matando-o, dando prejuízo aos fazendeiros. Ao se matar o avestruz, multiplica-se as cobras, que picando o homem, mata-o.
            Deixem as cobras se multiplicarem, pois, a peçonha é bom para “Carlos Chagas” , ele gosta bastante de veneno de cobras, principalmente da cascavel. “Se mata a cobra, se cura cobra”; porque se ela picar alguém, aplica-se o soro da própria peçonhenta, e salvará o paciente. Mas se o homem criasse avestruz em suas fazendas, certamente não precisaria criar-se vacina, pois o homem não seria picado pelas víboras.
            Mas preciso inventar alguma coisa para ganhar dinheiro mais fácil, pensam os mercenários. Matam-se os avestruzes e multiplicam-se as víboras. Foi ela, serpente, quem foi ao paraíso endeusar a mulher. (Livro dos Gênesis.) Mas poderá ser esta simbologia um tanto machista, pois, pode ser que a vontade própria do homem, como por exemplo, matar avestruz para tirar as suas penas, para fazer espanador.
            A elite tem a necessidade de ter espanador. Não tem ideia donde veem as penas, mas coloca em jornais: “Precisa-se de empregadas para limpeza do lar”. Chega a empregada e lhe é entregue um espanador. Ela olha encantada ao ver o espanador e começa a limpeza. Ela nem protesta que, para ter aquele espanador em sua mão, foi preciso matar uma avestruz. E os ecologistas protestam. Dão palestra ecológica nos colégios, na tevê, rádio e jornal. Os filhos das madames e dos ricaços leem as notícias e aprendem nos colégios e vão ao zoológico para ver o avestruz. Acham até bonita e gigante e dizem: é a maior entre todas as aves do mundo. Nem pensam que lá em suas casas, têm um lindo espanador de penas de avestruz.
            Aprendem tudo sobre ecologia, mas se esquecem que é preciso agir e protestar contra os depredadores. São arquivos mortos, ambulantes e cheios de informações ecológicas, guardados para prescrever com mofo, misturando com pizza, dos políticos sem compromisso com o povo.
Por aqui não há mais avestruz ou ema. Será que foram extintas? Não pode ser!
E agora, como vou fabricar espanadores? Podem fabricar de outra matéria, mas o melhor é feito de penas de avestruz: infelizmente.

O DIÁLOGO.

A mata do nosso imenso Brasil vivia tranquilamente, antes que o homem branco aqui pisasse. Para plantação, abrir estradas, construir cidades, começaram a derribar as árvores. Depois veio o fogão a lenha, a “Maria Fumaça”, as caldeiras a vapor, as siderúrgicas, os móveis... E as matas foram sendo destruídas, na política econômica.
Muitos pensam que os animais e as árvores não se comunicam entre si. Enganam-se, pois as árvores, no silêncio da noite, e no barulho do dia, elas se comunicam umas com as outras. Os santos percebem isso.
Uma bela noite fria e de céu estrelado e lua clara um santo deitou-se para dormir ao pé de um juazeiro e em sua visão ouviu o diálogo do juazeiro com a barriguda, que eram vizinhos um do outro. Começou o diálogo pelo juazeiro que disse:
-“Essa noite, não dormi, barriguda, ouvindo o barulho de motosserra destruindo e matando nossas irmãs árvores”.
-“Eu não. Dormir tranquilamente, embora ouvisse o barulho da motosserra e escutasse o tombo das árvores”.
-“Você tem toda razão, barriguda, pois não serve para carvão. Agora, eu não. Sou prato predileto para a motosserra. Por isso não dormi sabendo que minhas irmãs estavam sendo assassinadas pelos homens feras. Eles preferem derribar as árvores mais velhas e maiores. O que eu tenho medo é exatamente isso: Sou enorme, velha e sirvo para ser queimada nos fornos e transformada em carvão”.
-“Então eu tive sorte de nascer barriguda. Eu cresço exageradamente, mas não sirvo para ser queimada nos fornos. Entretanto, houve muitas barrigudas que foram derribadas para abrir estradas; mas foram poucas. Mas como o ser humano não se conscientizou a preservação da natureza, não estou também isenta de um dia alguém me derribar”.
O santo ouviu todo o diálogo, assustou-se, levantou-se e disse consigo mesmo: “O homem desumanizou-se, delatou de sua mente a sabedoria recebida do criador. Por isso ele não percebe o crime que está cometendo com a humanidade. Ficou cego, surdo e louco. Sua insensatez é muito grande e consciente de que está cometendo um grande crime ecológico. A violência está dentro de si mesmo e ele não percebe. A vida não é vivida harmoniosamente; é dividida em classe política e social e corre dia e noite para fugir da solidão e ninguém tem paz. Tudo está dentro da sua consciência e ele não percebe e busca fora de si a paz e a tranqüilidade. Virou um simples apedeuta e não consegue viver de outra maneira a não ser depredando a natureza.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Por que mataram o padre?


POR QUE MATARAM O PADRE?
Honorato Ribeiro dos Santos.
(Do livro História de Carinhanha às páginas  80 a 87, do mesmo autor).

Num lugar chamado Batalha, município de Bom Jesus da Lapa, morava um rico fazendeiro por nome de Capitão José Pereira. Era muito rico, dono de uma imensa fazenda com muito gado e empregados.
Certo dia chegou à sua fazenda uma senhora trazendo dois filhos. Ela era uma mulher muito rica. Não sabemos a sua procedência, sua família e sua terra natal. O capitão José Pereira sabendo que a mulher era muito rica, induziu-a para que ela comprasse uma fazenda ali, pois, o lugar era de terra fértil e boa para criação de gado e plantação para lavoura. Além disso, ela também poderia comprar escravos, pois tinha onde comprar. A mulher, convencida pela sugestão do capitão, resolveu ficar ali e comprar uma fazenda bem perto a do capitão José Pereira. Fez bom negócio comprando uma fazenda com muito gado. O negócio ia andando muito bem. Muito pasto, boi engordando; muito leite para tomar e fazer requeijão. O negocia ia crescendo cada dia e a mulher, por nome Maria da Conceição, estava feliz.
Certo dia, um de seus escravos veio lhe  contou que estava sumindo muito gado da fazenda dela, mas estava com muito medo de contar para ela quem estava roubando. Ao escutar a noticia do seu vaqueiro, dona Maria ordenou, obrigando-o a dizer quem era o ladrão. Então ele criou coragem e disse-lhe:
-É o capitão Zé Pereira. Mas vou lhe pedir, pelo amor de Deus, que a senhora não vai dizer que fui eu quem falou.
-O capitão Zé Pereira?!
-Sim, minha senhora! É ele mesmo. Eu vi com meus próprios olhos. Não foi uma e duas vezes, não. Várias vezes. Ele e seus empregados.
-Não é possível o que estou ouvindo de você! A acusação é muito forte para acreditar, mas você é um fiel empregado e não iria menti. Mas eu vou falar com ele umas verdades e quero que ele me pague o gado que ele me roubou. Não é porque ele é capitão que não vai ouvir o que tenho de lhe dizer.
Dona Maria, que era muito boa e tinha um coração benevolente, certo dia chegou à sua fazendo um homem aleijado, que tinha o apelido de Retorcido e lhe pediu agasalho e ela o deu. Retorcido ficou morando e recebia todo o carinho e apoio de dona Maria.
Dona Maria Conceição tinha uma vaca de estimação muito bonita. Era costume, determinada hora, a vaca ir comer à porta da casa da fazenda. Um dia a vaca não veio como de costume e sumiu da fazenda. Então o vaqueiro de dona Maria contou para ela, que a festa realizada na fazenda do capitão Zé Pereira tinha sido o banquete da vaca de estimação dela. Por esse motivo a vaca não veio mais comer à frente da porta da fazenda. Ele a roubou e a matou. Então dona Maria criou coragem e se dirigiu à fazenda do capitão Zé Pereira, a fim de dar-lhe uma lição de moral. Chegando lá, entrou sem pedir licença. Todos estavam em volta da grande mesa e o capitão José Pereira estava sentado em uma cadeira de balanço. Ela chegou de supetão, sem medo de lhe dizer a verdade e disse ao capitão:
-Capitão Zé Pereira, eu venho aqui, para lhe dizer que o meu gado que sumiu de minha fazenda misteriosamente há muito tempo, inclusive a minha estimada vaca, sem que eu soubesse quem seria o ladrão, agora eu descobri quem é.
-Não diga, dona Maria! Quem é esse ladrão?!
-Eu apertei o meu vaqueiro, que havia há muito tempo, sabendo quem era o ladrão e estava, por medo me escondendo, afirmou-me que o ladrão é o senhor, capitão. Agora é que compreendi o porquê de tanta questão que o senhor fizera, para que eu comprasse essa fazenda vizinha do senhor. Para me roubar, não foi isso, capitão?
-Não é verdade, dona Maria, isso é uma calúnia contra a minha honrada pessoa!...Esse negro deve está mentindo!... Ele está louco!
Não, capitão, o meu vaqueiro não é mentiroso, pois eu mesma investiguei e comprovei a verdade o que ele me disse. Até logo, capitão José Pereira. Que vergonha, capitão.
O capitão, perante seus empregados ficou envergonhado, mas guardou vingança. Então ele engendrou um plano para acabar com dona Maria. Era capitão e não podia perder a autoridade e a honra perante seus empregados e vizinhanças. Então, o capitão José Pereira mandou um de seus empregados ir à fazenda de dona Maria da Conceição chamar Retorcido, que morava com ela, a fazendeira, pois ele queria conversar com ele. O empregado foi às escondidas e chamou o Retorcido à parte e lhe deu o recado. O Retorcido atendeu ao chamado e foi ver o que o capitão José Pereira queria com ele. Assim que ele chegou o capitão Zé Pereira entrou logo no assunto e disse-lhe:
-“Mandei lhe chamar, Retorcido, para você fazer um serviço para mim”...
-Pode falar, capitão, sou todo ouvido.
-É para você assassinar sua patroa, dona Maria. Ela não poderá mais viver. Tem que matá-la.
-Deus me livre, capitão! Minha senhora não merece isso! Ela é muito boa para mim. É como se fosse minha mãe!...
-Nada disso. Se você não fizer o que estou lhe ordenando, quem irá morrer é você. Agora você escolha: Ou mata a sua senhora ou você morrerá. Escolha. E se você me obedecer assassinando sua senhora, corra pra cá e eu lhe darei agasalho e cobertura.
-É, capitão,... pra gente não morrer...é fazer o que o senhor está mandando, né?!
-Então, mãos à obra. Não perca tempo. Faça o serviço direito e corra pra cá, que você irá ser amparado.
O Retorcido tratou logo de executar o seu plano maldoso. Mas dona Maria da Conceição, por cautela, mudou-se de quarto. Retorcido estava sempre no pé dela para uma oportunidade matá-la. Até que ele descobriu, que dona Maria tinha mudado de quarto de dormir. Então à meia-noite, Retorcido na ponta do pé, bem devagarzinho, sem fazer barulho, entrou no quarto e apunhalou com várias facadas a patroa, que aos gritos pediu socorro. Todos da fazenda acordaram ao escutar os gritos de dona Maria e correram para socorrê-la. Mas chegaram tarde. Ela já havia sido assassinada covardemente por aquele que ela tinha ajudado. Retorcido fugiu para a casa do capitão José Pereira, o mandante do crime. Os empregados da falecida saíram em busca, na escuridão da noite, com fachos acesos em busca do assassino, e descobriram quem foi o criminoso: Retorcido. Mas os empregados, escravos não puderam fazer nada, pois se tratava de um homem poderoso: O capitão José Pereira. Lamentaram a morte da boa patroa e voltaram cheios de tristezas. Só puderam fazer um enterro e rezaram por ela.
Naquele tempo, no rio São Francisco, o transporte era feito pelas barcas de carranca que subiam e desciam levando gente e mercadoria, através dos “motores humanos”, os remeiros. Fortes homens, que com a vara no peito empurravam a barcaça rio à cima e desciam vogando e outro no leme.
Era o ano de 1822, quando a barca do Capitão Antônio Guimarães aportou-se no porto da fazenda do capitão José Pereira. O Capitão Antônio Guimarães levava muitos homens armados com bastante munição. Assim que chegaram, o Capitão Antônio Guimarães enviou um de seus homens, a fim de avisar ao capitão José Pereira, que a sua barca tinha trazido muitas mercadorias para vender e, se ele se interessasse comprar alguma coisa, que fosse ao porto negociar. O Capitão Antônio Guimarães acrescentou: “Olhe bem com muito cuidado, quantas pessoas têm, a posição da casa, quantas janelas, portas, quartos, pois ele iria fazer uma surpresa ao capitão José Pereira.” O negro foi; e entrando na casa, estava o capitão José Pereira com todos os seus empregados ao redor da grande mesa a conversar. Disse o negro:
“Bom dia, capitão José Pereira. O meu patrão mandou lhe dizer que chegou aqui, na barca e trouxe muita mercadoria; ela está cheia de mercadoria para vender. E, se o senhor quiser comprar alguma coisa, que fosse ao porto que ele faz um bom preço para o senhor, pois tem muita coisa boa a venda.”
-Diz a seu patrão que eu agora não posso ir, mas irei amanhã como sem falta lhe fazer uma boa compra.
O negro fez tudo o que o patrão tinha mandado com muita precisão. Voltando, contou ao Capitão Antônio Guimarães tudo detalhadamente e quantos homens havia com o capitão José Pereira. O Capitão Antônio Guimarães ao ouvir a narração do negro, relatando exatamente como ele mandara, aproveitando da boa oportunidade, deu ordem a todos, que pegassem as suas armas, pois ele iria fazer uma grande surpresa ao capitão José Pereira e todos os seus asseclas e o assassino, Retorcido. Quando se aproximaram da casa, o Capitão mandou seus homens cercarem toda casa e ficassem sobre o seu aviso de fazer uma chacina. O capitão entrou até à sala, com a arma em punho e disse para o capitão José Pereira: Capitão José Pereira, considera-se preso. E ninguém se mova, pois a sua casa está toda cercada pelos meus homens e estão todos armados. No mesmo instante, o capitão Antônio Guimarães deu ordem a dois dos seus homens: Peguem seus punhais e matem o aleijado Retorcido. Eles o agarraram e o assassinaram, vingando a morte de dona Maria da Conceição. Em seguida, o capitão Antônio Guimarães mandou fuzilar a todos começando pelo capitão José Pereira, o mandante do crime. Não ficou ninguém para contar a história.
Imediatamente todos embarcaram na grande barca subiram rio à cima para aportarem em Carinhanha. Em Carinhanha morava o Capitão Joaquim Amorim Castro da Gama. Grande fazendeiro e proprietário de muitas terras. Tinha muitos escravos e empregados.
Assim, a notícia correu de boca em boca rio acima até chegou a Carinhanha o massacre que fizeram em Batalha. Mas, como acontece sempre, que as notícias quando chegam, chegam sempre mal contadas e truncadas. Assim houve alarde em toda Vila de Carinhanha: “Vem subindo rio acima uma barca de um tal capitão com muito jagunço, que vem matando todo mundo para roubar... Não escapa ninguém!... É muito perigoso e valente!”... A sua barca está cheia de jagunços armados até os dentes! Uma velha, que criava uma garota por nome de Caetana, quando ouviu a notícia, correu depressa ao sobrado do capitão Joaquim Amorim, a fim de lhe dar a notícia. Disse ela para o capitão:
-Capitão Joaquim Amorim, aí vem subindo uma grande barca dum capitão com muitos jagunços matando o povo para roubar. Previna-se, capitão Amorim!...
O capitão Joaquim Amorim, por precaução, pegou quatro malas cheias de ouro e as colocou sobre dois cavalos enviando-as para sua fazenda do Riacho para a sua segurança. Depois, reuniu todos os escravos, deu-lhes armas e munições e foi ao encontro da tal barca pegá-los de surpresa. Na barca, como passageiro, vinha um padre por nome de  Pe. Nicândido. Todos estavam tranquilamente sem saber o que poderia lhe acontecer. Quando a barca se aproximou de Carinhanha a uns 12 km, os homens do capitão Amorim mandaram fogo cerrado contra os que vinham na barca, e, no tiroteio assassinaram o padre Nicânddo e outros. O capitão Antônio Guimarães Amorim escapou-se com vida e outros empregados, pois estavam também armados e souberam se defender do tiroteio. Trouxeram o corpo do padre Nicândido e enterraram na Igreja Matriz de São José. Até, antes da reforma da igreja, a pedra onde sepultaram o padre a gente via na nave da igreja com inscrição fúnebre: “Aqui jazem os restos mortais do padre Nicândido”.
O padre Nicândido morreu inocente. A causa foi uma notícia inverossímil criada de boca em boca pelo povo. Foram mal informados e acabou-se numa grande tragédia. O capitão Amorim, como acontece nas fofocas políticas, acreditou sem que fizesse uma investigação para saber se seria mesmo verdade. Acreditou numa mentira e acabou matando um inocente, o padre Nicândido, que também não soube da chacina em Batalha. Ele era apenas um passageiro, que no caminho, acredito eu, pegou a barca que vinha para Carinhanha. Esse fato se deu no ano de 1822.
O capitão Joaquim Amorim Castro da Gama era muito rico e predominava toda região até Correntina. A história conta que Angélica de Cerqueira seria a sogra do capitão Amorim. Dona Angélica era muito rica e possuía um grande engenho e muitos escravos. No local, onde hoje é a casa de seu João Porfírio, atrás do antigo cemitério de Correntina, era a instalação do engenho dela.
O capitão Amorim partia de Carinhanha e seguia para Correntina, ficando bastante tempo com dona Angélica. Existe até hoje o alicerce de cal trançado deixando assim à mostra da antiga casa, em Correntina, onde hoje é somente ruína.
Naquele tempo o transporte era em lombo de burro ou cavalo. Seu Lúcio Rodrigues, pai de seu Abílio Rodrigues, certa vez viajando para Goiás, parou na Serra de São Domingos e se encontrou com um negro por nome de Manoel Carinhanha e narrou tudo para ele a história da Batalha e a de Carinhanha com o tiroteio que fizeram contra a barca matando o padre Nicândido e outros.. Ele narrou a seu Lúcio Rodrigues, que o avô dele era um dos homens do capitão Antônio Guimarães o qual escapou com a vida no cerco que fizeram em Carinhanha. Meu avô fugiu, vindo parar aqui, na Serra de São Domingos. Meu pai foi quem me contou toda essa história. Eu era ainda pequeno, mas me lembro bem; não sei contar detalhadamente, mas o que sei estou lhe contando.
Tempos depois, seu Lúcio Rodrigues encontrou-se com um velho por nome de João Cazumbá, que lhe contou a mesma história, que o negro em Serra de São Domingos havia lhe contado.
Na minha pesquisa, que sempre faço para narrar os acontecimentos do passado de Carinhanha, nada encontrei no Cartório e Delegacia esse fato que oro narro. Contudo a história é verídica, pois muitas pessoas escaparam com vidas e são as testemunhas dessa história que oro narro. O capitão Joaquim Amorim Castro da Gama morreu aqui e deixou sua filha Caetana que faleceu, aqui também, e foi sepultada no cemitério da Saudade em 1930, com idade de 115 anos. Essa é uma das provas dos acontecimentos que se aconteceram em Batalha e em Carinhanha.
Há muitas histórias que acontecem e que não foram registradas em cartório, mas vai se perpetuando de boca em boca tradicionalmente. Não deixa de ser verdadeira, pois a história é contada pelo povo e alguém registra outro não. Estou registrando como fato verídico por testemunhas que viveram a tragédia e que guardaram repassando por seus descendentes e chagou até nós.    

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

EQUIZOFRÊNICO CHIQUINHO.


EQUISOFRÊNICO CHIQUINHO.
Honorato Ribeiro dos Santos.

Chiquinho, jovem de família pobre, porém, muito querido na cidade, gostava de vestir-se bem qual um janota. Suas roupas preferidas eram feitas d e puro linho. O linho naquela época, era roupa de gente rica. Poucos pobres vestiam-se por ser bastante caro o tecido linho. Mas o Chiquinho, pobre que era, porém trabalhador juntava o seu dinheirinho e vestia-se à moda dos ricaços da cidade. Todos o consideravam um rapaz decente e que sabia bem se trajar.
Quando apareceram as primeiras bicicletas na cidade, de marca Monark, Chiquinho comprou logo uma e aprendeu depressa. À tarde, ele tomava banho, trocava-se de roupa de linho branco, montava na sua bicicleta e saia a passear pelas ruas da cidade, sempre contente e satisfeito da vida. Ninguém, jamais, vira Chiquinho de mau humor. Sempre alegre e satisfeito com a vida que levava como pobre que era. Gostava de jogar futebol na posição de ponta direita. Ainda me lembro, quando fizemos um amistoso: Rua de Baixo contra Rua de Cima. Sempre terminava em briga, mas Chiquinho ficava fora das brigas. Ele não gostava de confusão contra ninguém.
Depois que construíram a pista de pouso para avião bimotor, surgiram as linhas: Cruzeiro do Sul, a Nacional, a Sadia e a Varig. Essa pegava quarenta passageiros. Muita gente embarcava para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília e algumas cidades ribeirinhas do rio São Francisco como: Pirapora-MG, Januária-MG, Carinhanha-Ba, Bom Jesus da Lapa-Ba, Cidade da Barra-Ba, Xiquexique-Ba e Petrolina-Pe. Chiquinho, como muita gente da cidade, ia a campo assistir ao embarque e desembarque no avião da Varig. Chiquinho ia na sua bicicleta e nunca perdeu a chegada do pouso da Varig.
Um dia, belo dia! Dia bom no presente, porém, que futuro triste, para Chiquinho...Desceu uma linda moça, aeromoça, que se encantou aos olhos de todos que a viram. Todo mundo ficou encantado com a beleza da aeromoça. Era mesmo linda de enfeitiçar os olhos de qualquer jovem. Mas para Chiquinho, para os seus olhos, a coisa foi diferente: Amor a primeira vista. Ele falava o tempo todo sobre a beleza da aeromoça que ficou apaixonadamente, alucinadamente pela aeromoça, sem, pelo menos conversar com ela; bater um papo. Não sabia se ela era moça solteira ou casada. Para o coração de Chiquinho ela era a sua enamorada, a sua vida. Não pensava mais em outra coisa e sua mente só morava a figura encantadora da aeromoça. Todas as vezes que o avião roncava rasgando o céu da cidade de Carinhanha, Chiquinho montava em sua bicicleta e saia feito louco para ver a sua encantadora aeromoça. Seu coração disparava em taquicardia que parecia sair pela boca de tanta alegria de ver novamente a sua bela enamorada descer da escada do avião, vestida naquela fardamenta linda da Aeronáutica, sorridente e assistindo aos passageiros. Quando Chiquinho batia seus olhos para ela ele dizia: Rapaz, é linda demais, caramba! Não existe outra beleza igual a ela! Puxa vida! E falava o tempo todos e os olhos não saia dela.
O avião decolava e levava a sua encantadora aeromoça; e ele voltava para sua casa alegre, satisfeito.
Dia triste para Chiquinho, quando o avião da Varig pousou e não desceu a aeromoça. Mudou-se de rota. Foi substituído por uma outra aeromoça. Mas, sempre que o avião pousava o Chiquinho ia, na esperança de vê-la novamente. Mas ela não veio nunca mais. Então Chiquinho se entristeceu, ficou taciturno, não sorriu mais; não andou mais na sua bicicleta e se enlouqueceu. Não falou mais com ninguém e falava baixinho consigo mesmo e sorria. Ia para o mato e tirava gravetos, punha-se debaixo do braço e saia pela rua: sujo, cabeludo, descalço; mudou completamente de um janota para um mal trajado. Não perde uma solenidade na igreja, mas sempre com o feixe de vara debaixo do braço a conversar baixinho consigo mesmo e sorria. Muitas vezes falava com a gente e chamava pelo nome; mas raramente acontecia. Chegava à porta de um conhecido, pedia comida; comia ali mesmo, deixava o prato e ia embora. Quem o conheceu como trabalhador decente e vestia-se bem lamentava o que aconteceu com o Chiquinho. Todos começaram a lhe chamar de Chiquinho Doido. Mas o seu verdadeiro nome  era: Francisco Rodrigues Cerqueira, que morava com sua afim Roberta, que o zelou o tempo todo até quando Deus o chamou. Ele morava à rua  Ana Angélica. Faleceu, no dia 20 de maio de2006, e foi sepultado no Cemitério Senhora Santana, no Bairro Alto da Colina. Os repórteres da Pontal FM, Duacy Santos  e Jota Pinheiro, leram, no outro dia, essa mesma história, que oro narro, o que aconteceu com um jovem conterrâneo da cidade de Carinhanha, à margem esquerda do Velho Chico. Chiquinho partiu para a eternidade e deixou uma história comovente para todos que o conheceu e para quem lê, analisando psicologicamente como é a cabeça do ser humano. Acredito que há muitos Chiquinhos por esse mundo a fora.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CHICO VAQUEIRO.


CHICO VAQUEIRO.

História contada por Honorato Ribeiro dos Santos.

Chico Vaqueiro, velho matuto, analfabeto, que só conhecia mesmo a labuta do dia-a-dia com seu gado e de sua propriedade. Era mesmo um jeca, mas homem honesto e querido por todos da cidade. Como não sabia ler e nem escrever; distante do mundo moderno, sem rádio para saber das novidades; nunca ouviu ninguém falar no progresso tecnológico de tais invenções. Era mesmo um desinformado de tudo no mundo.
Naquela época, na década de 1940, aqui, mal se ouvia, com o ouvido colado à fechadura da porta de seu Álvaro Telegrafista para escutar as notícias do rádio, que somente ele possuía. Muito orgulhoso, trancava a porta para evitar os curiosos; somente ele e sua mulher poderiam ouvir o Repórter Esso, e mais ninguém. Era maníaco o velho Álvaro Telegrafista.
Chico Vaqueiro ouviu falar do tal rádio, mas não tinha noção de como seria o tal aparelho moderno, que somente Álvaro o tinha. Também ouvia o povo falar em trem de ferro, avião, caminhão e bicicleta, mas nunca tinha visto nenhum deles nem mesmo pelo retrato. Entretanto, na sua perspectiva imaginária formavam imagens irreais e absurdas desses objetos modernos, na sua mente, cujos objetos já estavam surgindo, mas aqui não havia nenhum deles.
José de Oliveira Lisboa, prefeito municipal da pequena cidade, conhecido por Zuza Lisboa, era idealista e amava o progresso e o desenvolvimento de sua terra, resolveu comprar uma máquina a vapor para beneficiar algodão e arroz. Era a usina sonhada por ele e por todos., pois geraria emprego para muita gente. Assim aconteceu. Zuza Lisboa comprou a máquina e veio transportada em um caminhão FORD. Veio, também, um técnico alemão por nome Otta montar a usina e pô-la para funcionar. Houve realmente um grande progresso para a cidade. Muita gente se empregou e ganhou muito dinheiro. O algodão era o ouro branco daquela época. Saia fardos de algodão de 100 quilos para embarcar nos vapores até a cidade de Pirapora, em Minas Gerais.
A história verídica que ora contamos é muito engraçada. Não havendo lanchas e nem ponte, o gado, automóvel e caminhão atravessavam em ajouje. Assim aconteceu. O caminhão atravessou no ajouje, no pontal e seguiu para a cidade de Carinhanha à margem esquerda do Velho Chico. Como não havia estrada, pois o primeiro caminhão, que surgiu, era estrada cavaleira de areão. O caminhão com o peso da máquina teve de reduzir e fez muito barulho. Para quem nunca viu ou ouviu o ronco de um caminhão FORD rasgando areão, se espantaria à primeira vista. Foi o que aconteceu com seu Chico Vaqueiro. Ele, como de sempre, arriou o seu cavalo, pôs os alforjes cheios de ovos na garupa do cavalo, para vender na cidade. Era já de encomenda. Montou no cavalo e seguiu para pegar à marginal da estrada. Mas, quando ele saiu da vicinal e pegou a estrada principal, deparou-se com o caminhão com seus faróis acesos e o barulho do motor, a luz forte encandeou os olhos de Chico Vaqueiro e os do cavalo; que saíram loucos: cavalo e cavaleiro assombrados quebrando pau, rasgando estrada, até chegou à sua fazendo de olhos arregalados, sem fôlego e completamente assombrado. Não seria diferente mesmo, para quem nunca viu um caminhão e os faróis fortes e com tamanho barulho do motor é de se assombrar quem nunca viu. Chico Vaqueiro entrou na casa, trêmulo sem poder falar, pois, o coração disparou numa taquicardia a 180 batidas. Só faltou sair pela boca. Entalado, suando frio, com as calças toda borrada, arregalou os olhos para a esposa e disse-lhe: Defonsa, me dá água qui to assombrado, muié! Meu cavalo também tá!
-O qui foi, home de Deus!? Cê tá amarelo e tremeno?!
-Defonsa, eu vi um bichão tão horrive, cum os oião lumiento quinem fogo, cua claridade qui fiquei cego e surdo do ronco do bicho!...O bicho curria tanto, Defonsa, e zuano forte qui nunca vi em toda minha vida! Era mais veloz do que meu cavalo! Num to li dizeno, Defonsa?! O ronco do bicho sacudiu os matos e o chão. Ele era mais maior do que esta casa; num to li contando, muié?! Pode crê, Defonsa, pode crê!..
-Chico, num é um tar de camião de Zuza Lisboa qui o povo tá dizeno que vem aí, home?!
-Não era camiano não, Defonsa! O bicho era veloz demais. Curria, butecava o zoios ni mim queria me cumê, Defonsa! Se eu não fosse bom vaqueiro e meu cavalo não fosse bom, o bicho tinha me cumido eu e meu cavalo!
-Ô Chico, eu onte vi uma tar de bicicleta, quem sabe não foi a bicicleta qui cê viu?
-Não foi bicha queta nem nada, muié! Era um bichão inorme e corredor.
-Tô achano qui ocê tem razão, Chico. Eu vou fazer um chá de erva-cidreira pro cê tomar e acarmar. Depois deita um pouco e assossega. E os ovos, Chico?
-Quebou tudo, Defonsa.
-oito dúzia de ovo, quebrou tudo?! Minha Nossa Senhora! E agora, meu Deus?! Era de incumenda...
No outro dia Chico Vaqueiro foi com sua esposa à cidade e viram o caminhão e a máquina da usina em cima e muita gente curiosa em redor admirando da geringonça. Chico Vaqueiro, ainda assustada, foi chegando de mansinho para conhecer o tal bicho de ferro que o deixou assombrado. Então ele disse para sua mulher:
-É verdade, Defonsa, os home quer ser mais de que Deus! Cuma é, Defonsa, qui um montão de ferro desse, tem zoi de fogo qui clereia tudo e uma zuada danada tem tanta força?! Eu tô besta de vê cuma é qui o home inveta essa coisa de assombrar a gente!
-É, Chico, maió mermo é Deus e nada mais. Vamo imbora pra casa, Chico. Já vimo o bicho. Foi Deus qui li ajudou cê não morrê assombrado!. 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O AMOR DE MARIANA.


O AMOR DE MARIANA.
Do livro Carinhanha e sua história.
De Honorato Ribeiro. (Pag 56 a 59).

Capitão Rômulo Dias, um fazendeiro bastante rico, proprietário de várias terras, tinha vários filhos, os quais lhe obedeciam e sempre estavam ao lado do pai ajudando na labuta diária na fazenda. Ele tinha três filhas muito bonitas e prendadas. A educação e o respeito para com ele era bastante rígida. Todos teriam de lhe obedecer e nenhum fazia desgosto ao pai. A filha mais nova era simpática, elegante e educada. Todo habitante da pequena cidade gostava muito dela, pois era alegre e sorridente. Como sempre a mocinha quando chega a idade procura logo um namorado. Ela se chamava Mariana. Sempre estava sonhando um dia encontrar um jovem namorar e casar. Ser uma boa mãe de família era o sonho de Mariana.
Um dia ela se encontrou com um jovem da mesma cidade e se interessou nele. Ele era de família tradicional e bom rapaz. Ele se chamava Antônio José. O seu primeiro encontro foi para Mariana o sonho que mais sonhara, pois Antônio José era simpático e correspondeu ao amor de Mariana. Começaram a se encontrar as escondidas, pois seu pai era muito ciumento e não deixava suas filhas namorar sem o seu consentimento.   Se ele não fosse com a cara do rapaz, não tinha namoro e nem tampouco casamento. A sua palavra era de rei: não voltava atrás em suas decisões. E Mariana sabia como o pai era: severo. Mas Mariana estava disposta a enfrentá-lo tudo pelo grande amor que tinha para com o jovem Antônio José. Ela pretendia se casar com ele. Era o amor de sua vida. Ficou apaixonadamente por ele.
Um dia, ela resolveu falar com seu pai que estava gostando de Antônio José e queria se casar com ele. Pedia ao pai o seu consentimento. O coração quase saindo pela boca; tremendo e ansiosa para ouvir a resposta do seu pai. O Capitão Rômulo respondeu para a sua filha, o que ela não gostaria de ouvir: Não. Absolutamente não. Eu conheço aquele rapaz e com ele não deixarei você se casar. Pode acabar o seu namoro com ele hoje mesmo, está me ouvido? Ela ficou triste, chateada e começou a chorar loucamente, pois já estava apaixonado por Antônio José. Mas ela não desistiu e começou a se encontrar com Antônio José às escondidas. Seu amor era mais forte do que o não duro e seco do seu pai. Mas Mariana não desistiu e de quando em quando ela tornava a implorar ao pai para que ele deixasse ela se casar com Antônio José. Mas ele era firme, pois, era capitão de patente comprada da Guarda Nacional. Tinha que educar de sua maneira e não permitia desobediência nenhuma de qualquer filho que fosse: homem ou mulher. Ainda educava os filhos daqueles tempos que o pai era quem escolhia o rapaz para se casar com sua filha.
Antônio José também estava apaixonado por Mariana e queria se casar com ela ter muitos filhos. Quando soube que o pai de Mariana não consentiu nem mesmo o namoro ficou triste, mas aguardava com paciência o sim do pai de Mariana.
Um dia, o capitão Rômulo descobriu que sua filha não tinha desistido do namoro com o jovem Antônio José e resolveu levar a filha para a sua fazenda, a fim de esquecer o rapaz. Lá, na fazenda, de coração aflito e magoado, pois o seu pensamento só fixava no seu grande amor, seu príncipe encantado, seu Romeu, não conseguia dormir. O sonho sonhado era de olhos abertos vendo a imagem do seu grande amor; via o dia amanhecer e a alvorada dos pássaros cantando na copa do juazeiro à frente da fazenda. Cheia de coragem, na hora do café, ela pediu ao pai para que ela voltasse para a cidade, mas o pai não lhe atendeu. Ela ouviu novamente aquele não seco e autoritário. Mariana se recolheu em seu quarto chorou até que os soluços se transformaram em estresse. Louca de amor começou a imaginar coisas absurdas: A na cabeça rondava o leão rugindo querendo lhe devorar. Vieram-lhe tentações, tendências loucas, mas lutava na busca de dialogar com o pai e persistir pedindo-lhe o sim, fazendo-lhe feliz. O pai ignorava o que passava na cabeça da filha; o que é amor verdadeiro de uma jovem de apenas 18 anos de idade, quando se apaixona. Ele ignorava tudo com sua resposta de sempre não. Não dormiu a noite e levantou cedo; escovou os dentes, penteou os cabelos, sentou-se à mesa e tomou café com o pai, calmamente. Os olhos eram de ontem. Então ela resolveu, mais uma vez, mais sério conversar com o pai. Decidiu, pela  última vez, que o pediu para se casar com Antônio José. Seu pai já tinha acabado de tomar o café e deitou-se na rede, como de costume. Então, Mariana aproximou-se do pai e disse-lhe:
-Pai, pelo amor de Deus, eu lhe suplico, deixe-me casar com  Antônio José. Ele é um rapaz bom, de família boa...
-Não quero. Já lhe disse mais de mil vezes. Deixe de ser teimosa.
-Mas, pai, eu amo Antônio José... O senhor me entende? O senhor está fazendo-me  sofrer! E ser infeliz!
-Entendo, sim. Mas eu não quero e você sabe disso. Quando eu não quero uma coisa é ponto final.
-É a última palavra do senhor, meu pai?
-É a última, entendeu? A última e não me amole.
-Entendi, meu pai. Não vou mais lhe aperrear.
Mariana se recolheu no seu quarto e teria de se conformar ou escolher: Ou o amor que tinha para com Antônio José ou a sua vida não teria mais sentido de tê-la. Gostaria muito de viver ao lado daquele que ela amava loucamente, mas seria impossível, pois seu pai era o grande obstáculo entre ela e seu bem amado. Então ela resolveu escutar o lado esquerdo do cérebro: O mau, pois, dentro de cada um de nós existem dois mundos: O do mal e o do bem. Ela escolheu o do mal. Foi essa a sua opção. Então ela pegou um copo d’água e colocou dentro do copo com água veneno e disse consigo mesma: É, meu pai, prefiro morrer de que viver sem o amor que tenho por Antônio José. A vida para mim não tem mais sentido. Depois, levou o copo à boca e bebeu suicidando-se. Assim que acabara de beber caiu no chão para nunca mais ouvir do pai o “não” seco e autoritário.
O capitão Rômulo ouviu uma forte pancada de alguma coisa caindo no chão. Levantou-se da rede e correu às pressas para o quarto da filha. Quando ele entrou, viu a filha estendida no chão sem vida. Ele olhou para o lado, e viu um copo sobre a mesa e um pacote ao lado com algum resto de veneno. Compreendeu que a filha tinha se suicidado. Sua mente encheu-se de remorso, pois, ele foi o único culpado de não entender o que era amor no coração de uma jovem adolescente. O seu coração de pedra, fê-lo uma grande tragédia, pois, ele a amava muito por ser a caçula.
O capitão Rômulo trouxe o corpo da filha para a cidade. Toda cidade se chocou quando o povo soubera o porquê que Mariana tinha se suicidado. Foi horrível a notícia do suicídio de Mariana e todos lamentaram, pois, era jovem bonita e todos gostavam dela. Antônio José ficou chocado, revoltado contra o capitão. Mas não podia mais fazer nada. Perdeu seu grande amor por causa, simplesmente, de uma má compreensão da parte do pai de Mariana. Mariana não se matou, obrigara a si matar. O amor por alguém se torna uma paixão, uma loucura; é mais forte do que “Sansão”. Nessa história de Mariana, a Dalila foi quem morreu e não Sansão. Há muitas Marianas que se suicidaram por imposição daqueles que não souberam, não experimentaram o gosto de saber amar.

FIM.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A ISTÓRIA DE MOLEQUE SACY


A HISTÓRIA DO MOLEQUE SACY.
Conto de Honorato Ribeiro dos Santos.

Capítulo um.

Padre Silva, um padre jovem muito inteligente, servidor, da ala dos padres progressistas, atuou brilhantemente e realizou um trabalho autêntico, na comunidade, principalmente com a juventude.
Com a abertura da Igreja pós Concílio Ecumênico Vaticano II, saiu da sacristia e foi em busca das ovelhas perdidas; ensinando a todos a serem missionários e anunciar a Boa Nova como verdadeiros arautos da paz e libertação. De sandálias nos pés e vestes simples, padre Silva mostrou sua habilidade como o jovem de Assis. Na sua vocação de presbítero procurou, sem exceção, jovens de todas as camadas sociais. Fundou um grupo de teatro, um sindicato dos trabalhadores rurais, construiu salão de dar palestra, reconstruiu a igreja, construiu a casa paroquial e muitas obras foram realizadas por ele.
Nas suas homilias ele ensinava seus fieis a viverem como irmãos; tinha um dom de oratória maravilhoso.
No grupo de teatro, havia um jovem que se tornou amigo impecável do Moleque Sacy. Esse garoto era pretinho, magricela, de pouca leitura, filho de uma prostituta, que, além de sê-la era alcoólatra. O filho, o Moleque Sacy, era rejeitado por sua mãe. Não recebeu educação materna, nem afeto,  amor e carinho, não sabia o que era. A sua casa era a rua. Tornou-se um marginal e começou a roubar para sobreviver. Tornou-se um excluído pela sociedade, que o apelidou de Moleque Sacy. Todos os furtos, arrombamentos que aconteciam na cidade culpavam-no. Ele aprendeu a si defender da polícia. Era um garoto magro e alto, adolescente de apenas 17 anos de idade. Foi preso várias vezes, mas saia por razão de ser menor e cobertura de um grandalhão traficante.
Quem era o jovem seu amigo do que falei acima? Era um jovem professor de família média, que se chamava Thiago. O professor Thiago percebeu que o jovem Moleque Sacy não era mau como o povo dizia. Moleque Sacy gostaria de ter uma mãe boa, não cachaceira; um pai bom, ter um lar, uma boa educação, uma formação como um cidadão de bem; ser formado e ser gente respeitada dignamente como um ser humano. Somente o professor Thiago o compreendia. Então, o professor Thiago levou o Moleque Sacy ao padre Silva e contou-lhe toda a história e o porquê que o Moleque Sacy se tornou marginal. Teria que recuperá-lo com a ajuda do padre Silva e dele, o professor Thiago. O padre Silva o recebeu e começou a lhe mostrar outro mundo: ensinado por Jesus Cristo. Deu-lhe muitos conselhos para que ele fosse realmente um cidadão de valor: um cristão. O padre Silva sabia que era difícil a sua tarefa de recuperá-lo, pois a sociedade é hipócrita. Mas como padre, era a sua missão de servir e ensinar e abraçar os que estão no caminho errado. Assim começou a amizade com o padre Silva. Às escondidas ia sempre visitar o padre. Mas a polícia sempre estava em seu encalce. Não morava mais com a mãe, pois ela o expulsou de sua casa e o odiava. Ainda jogava praga no filho. Nenhuma autoridade tivera ideia de levá-lo para um internato, uma escola de recuperação de menor. Ninguém. Todos cantavam a canção de Chico Buarque: “Joga pedra na Geni”. (...).
Moleque Sacy só roubava; nunca esfaqueou e nem matou ninguém. Talvez roubasse para poder sobreviver. Ele aprendeu escrever e ler, pois, quando ainda garoto freqüentou a escola. Não sendo educado por sua mãe que nunca lhe dissera quem seria o pai, cresceu frustrado e o mundo só ensina coisas erradas e anti-sociais, o anti-religioso. Foi o que ele aprendeu: desassociar-se.
Moleque Sacy sabia de muitas coisas dos poderosos dos tráficos de drogas, que ficaram ricos e poderosos. Ele sabia o nome de cada um. Eles, os traficantes, também sabiam que o Moleque Sacy sabia quem eram eles, por isso. o ameaçava se abrisse a boca. Eles lhe agradavam com dinheiro e pediam para que ele não roubasse mais. Mas Moleque Sacy roubava por revolta de uma sociedade hipócrita, que só dava valor quem tem poder e dinheiro. Quando o Moleque Sacy se encontrava com o padre Silva e o professor Thiago, lhes contava tudo sobre os traficantes e a polícia.
O padre Silva construiu um salão para dar palestras e um palco para teatro. Mas Moleque Sacy não ia nesses encontros de palestras religiosas e nem ao teatro, pois era rejeitado e vigiado pela polícia. Só se encontrava com o padre e o professor às escondidas.
Um dia, a polícia foi chamada para prender o Moleque Sacy, que subiu no telhado de uma casa para roubar. A polícia chegou e começou a atirar nele. Ele, feito gato, correu por cima dos telhados de todo o quarteirão e fugiu. A polícia não o agarrou. Ele se escondeu num quintal de uma casa. Um amigo e irmão de um traficante, pegou o carro e foi dar cobertura ao Moleque Sacy. Pegou-o e o levou em seu carro e deu-lhe abrigo. A polícia soube, mas não foi em busca do Moleque Sacy. Fez de conta que não soubesse de nada.

CAPÍTULO DOIS.

AS DROGAS.

O Moleque Sacy sempre se encontrava com seus amigos: o padre Silva e o professor Thiago. O professor Thiago era muito inteligente, culto e explicava-lhe sobre a falsa sociedade e da falsa democracia. O Moleque Sacy aprendia muitas coisas com seu amigo professor: história do Brasil, a má política dos governantes, as corrupções, o tráfico de droga e dos traficantes. Moleque Sacy sabia quem era os traficantes, quem era os viciados; e sabia que a polícia também sabia, mas não prendia ninguém. Somente ele é que a polícia perseguia. Ele sonhava de um dia sair daqui e procurar outro lugar onde poderia lhe valorizar e poder arranjar um emprego e se sentir como gente. Aqui, só quem lhe entendia eram os dois amigos. O povo já estava censurando os dois por lhe darem apoio como pessoa humana. Davam-lhe conselhos, mas ele continuava revoltado e, quando ele achava uma brecha, furtava de quem era rico. Moleque Sacy aos 14 anos conviveu entre fortes traficantes, mas nunca viciou em droga e nunca cometeu crime. Todos os traficantes tinham medo de ele denunciá-los à polícia federal, pois, o professor era muito letrado e poderia ter lhe orientado como denunciar do grupo. Sabiam que o Moleque Sacy só roubava para sobreviver, pois, nem mesmo a sua mãe deixava-o  dormir, comer em sua casa. Também a coitada era alcoólatra e analfabeta e para sobreviver se prostituía.
São muitos os Moleques Sacys que vivem assim nesse país.
O craque, e a maconha entravam à reveria e havia bastantes jovens viciados; roubam para comprar drogas, mas a polícia só perseguia o Moleque Sacy. O motivo de a polícia prender o Moleque Sacy, era somente para intimidar os traficantes, pois o Moleque sabia, detalhadamente, quem era o chefão do tráfico. Mas para ficar de boca fechada, o chefão dava dinheiro para o Moleque ficar de boca calada. Também havia alguns soldados que recebiam ordens do chefão.





CAPÍTULO TRÊS.
O CONFRONTO CONTRA O DELEGADO.

Alguém foi avisar o delegado de polícia que o Moleque Sacy estava escondido na casa de um amigo e, que, naquela noite, ele tinha roubado no armazém daquele bairro. O denunciante foi a pé, pois não tinha telefone e era muito distante. Chegando lá, fez a denúncia. O delegado saiu às pressas em sua viatura, levando dois soldados com ele. A delegacia ficava bem distante do bairro, onde o denunciante dissera estar o Moleque Sacy. Quando o delegado chegou com a polícia cercaram a casa e deram voz de prisão para o Moleque Sacy se entregar. O Moleque Sacy saltou o moro. Deram vários tiros contra o Moleque. Nenhum tiro o alvejou. Ficaram em alerta com as armas em punho. O delegado estava em pé, no meio da rua, com o revólver em punho, quando sentiu alguém por detrás o agarrou, dando-lhe um golpe de mestre lutador e desarmou o delegado. O delegado tentou reagir, mas Moleque Sacy, ágil, deu-lhe uma capoeira jogando o delegado por terra e fugiu com a arma do próprio delegado, que era um sargento. Os dois soldados quando chegaram, viram, ainda o delegado no chão todo sujo de areia. Perguntaram-no o que havia acontecido e o delegado contou-lhes. Os soldados foram correndo para ver se ainda encontrariam o Moleque Sacy. Que engano! Moleque Sacy estava bem longe e armado. Mas ele não tinha o espírito de assassino, pois, se tivesse, teria matado o delegado. Nem sequer deu um tiro no delegado, na mão, por exemplo, ou o pé. Mas, não. Ele só queria mostrar que ele sabia se defender e não tinha medo da polícia e nem tampouco do delegado. Ele só tinha medo do chefão.
A rua ficou repleta de gente vendo, talvez assistindo a um filme de caw boy, sendo o mocinho o Moleque Sacy vencendo o xerife. Muitas histórias foram formando na imaginação dos que assistiram ao duelo entre o delegado e o Moleque Sacy: Davi e o gigante Golias, (...). O delegado foi ao suspeito chefão e lhe pediu que mandasse pedir ao Moleque Sacy a sua arma de volta. O Chefão mandou chamar o Moleque Sacy e ele o atendeu. Ao chegar, o chefão pediu-lhe o revólver do delegado. Ele o entregou e recebeu uma bolada. O chefão lhe pediu para não roubar mais e que ele daria uma mesada todos os meses. O Moleque respondeu: “Diga para a polícia, e esse delegadozinho de merda, que me deixe em paz”. Se continuarem a me perseguir continuarei furtando. Não é somente eu que rouba. Há muitos, aqui, que roubam, inclusive o senhor. Eu sei de tudo e de sua riqueza e poder. Sou pobre e sem família; o senhor sabe disso. Minha mãe que poderia gostar de mim, me odeia. O senhor só me dar apoio e dinheiro, porque eu sei tudo de sua vida suja.
No outro dia o delegado recebeu o revólver de volta. Mas, à noite houve uma festa da elite, no centro da cidade. Moleque Sacy foi e entrou, pois  o porteiro tinha medo dele; não o barrou. Avisaram a polícia que o Moleque Sacy estava na festa. A polícia e o delegado foram. A polícia chegou de vez e agarraram-no. Moleque Sacy, franzino que era, derribou os soldados e se escapou  em leso. Gente se espalhou por todos os cantos e a ruas encheram de gentes curiosas. Os soldados deram vários tiros na direção do Moleque Sacy, mas fugiu são e salvo. Mais uma decepção para a polícia. Moleque Sacy estava sendo herói de verdade. Os comentaram se espalharam como manchete do dia. “Moleque Sacy contra três soldados armados e o delegado, mas não o agarraram.” Tornou-se herói da pequena cidade com a penas quinze mil habitantes.
No outro dia, Moleque Sacy foi ao chefão reclamar que o combinado tinha quebrado. Ele agora iria furtar. Ficou revoltado e furioso com o chefão que lhe deu mais dinheiro.
De posse do dinheiro, que o chefão lhe dera, Moleque Sacy foi à fazenda de um amigo ficar lá uns dias, fugindo de tantas perseguições da polícia. Lá ele ficou sonhando ter uma vida digna de um cidadão. Sonhava sair daquela vida de roubar para sobreviver. Não achava ninguém que o ajudasse a sair daquela situação marginal. Pensava no amigo, professor Thiago e no padre Silva: os conselhos dos dois amigos. Por causa dele os dois eram criticados pela sociedade, que só sabia jogar pedra, mas não dava oportunidade de resgatar a vida de quem não tinha família. Sentia rejeitado pela mãe e a sociedade. Não sabia quem era seu pai biológico. Pô-lo no mundo e ficou uma pessoa marginalizada. Ele gostaria de conhecer o pai verdadeiro. Talvez ele não fosse ébrio ou ruim; pudesse aceitar como filho. Mas a imaginação de Moleque Sacy não tinha resposta. Todos os lados havia caminhos cheios de pedras; de espinhos e areia movediça. O professor Thiago contou-lhe a história de Zumbi. Zumbi, o herói dos negros africanos. Ele também era negro, mas não era herói como Zumbi, que morrera para libertar o seu povo negro. Moleque Sacy voltou para viver a mesma vida, pois não achou solução nenhuma.

CAPÍTULO QUATRO.

A JURA FOI QUEBRADA.

Quando Moleque Sacy voltou da fazenda do amigo, foi ao chefão pedir dinheiro, mas foi negado. “Não lhe darei mais dinheiro e nem apoio, pois corro perigo de a justiça descobri quem sou eu. Você continua a roubar. Pode roubar à vontade. Eu não me importo mais. E você fique calado, pois, poderá morrer.” Moleque Sacy saiu furioso com o chefão traficante e disse que iria abrir a boca. “Não abro, aqui. Abro bem longe. Sei o caminho aonde eu chegarei e o denunciarei. Vou acabar com você e seu bando”. Disse o Moleque Sacy. No outro dia a polícia prendeu o Moleque Sacy e o professor Thiago. A família do professor Thiago ficou revoltada. Não havia motivo para o prender. A polícia usou um álibi, afirmando que o professor Thiago era amigo de Moleque Sacy e dava-lhe apoio a um marginal. A família do professor contratou um advogado e esse entrou com um habeas-corpus e o soltou. Mas Moleque Sacy não precisou de advogado: foi solto, pois era menor de 17 anos. Mas o delegado estava providenciando para levar o Moleque Sacy para a FEBEM. Mas o Moleque Sacy sabia que a FEBEM não resgatava ninguém. Não há uma educação onde os menores possam ser resgatados e voltarem ser valorizados como pessoas dignamente humanas. Ele sempre fugia e não queria ir. “Educar alguém tem de amar. Nesse país ninguém ama quem é marginal.” Moleque Sacy sabia de tudo sobre essa entidade. “Seria melhor viver como vivo, mas livre. Mesmo apedrejado pela sociedade hipócrita, mas tenho liberdade de ir e vir, quando eu quiser.”
 

  CAPÍTULO CINCO.

A tarde estava linda, batia um vento fresco. O sol já estava se declinado e os pássaros cantando na copa das árvores. A cigarra cantava como sempre. Ao longe se ouvia o latido de cachorro e gorjeava o sabiá. Moleque Sacy estava sentado num tronco de árvore estendido no chão e começou a imaginar. Seu pensamento voava procurando a felicidade, que há muito tempo não sabia o que era. Começou a pensar melancolicamente: “Por que minha mãe não gosta de mim?! Quem é o meu pai? Eu não pedi a ninguém para vir ao mundo. Todo mundo tem uma família, uma casa para morar, um bom emprego... Há destino? Não acredito, pois, o padre Silva me ensinou que todos nós temos o direito de viver dignamente e respeitado como ser humano. O professor  disse-me que as terras do Brasil são dos índios, pois eles eram os verdadeiros donos dessa terra. Vieram os portugueses e os roubaram tudo: seus costumes, sua cultura e sua língua. Hoje os índios são até queimados, como aquele em Brasília. Milhões de índios foram mortos por não aceitar ser escravos dos brancos como os negros africanos. Os donos dessa terra hoje, os latifundiários, são os verdadeiros grileiros, pois, compraram na mão de quem? De quem era essa terra? Não era dos índios? Compraram na mão do índio? Toda riqueza, ouro, prata, diamante, etc, eram dos donos que moravam aqui há milhões de anos. Se voltarmos até os primeiros habitantes da terra, foi dado pelo criador gratuitamente. Inventaram os cartórios, as leis e registraram como se fosse deles. Agora, compraram na mão de quem? Isso tudo o professor Thiago me ensinava a verdadeira história que não é contada nas escolas e faculdade. Mas o povo sabe que essa é a verdadeira história da humanidade.” Naquele instante foi quebrada a imaginação, o pensamento e as imagens em perspectivas na mente do Moleque Sacy, quando se ouviu dois tiros. O povo saiu à porta da rua e viu um corpo estendido no chão. Era a do Moleque Sacy. Muita gente viu, saindo do mato dois soldados armados pegando o corpo de Moleque Sacy e o puseram no carro e partiram. Levaram ao hospital. Quando o médico o assistiu disse-lhes: “Está morto”. Os soldados mandaram que o médico desse o laudo afirmando que foram prendê-lo, mas ele reagiu. “Não tivemos outro jeito, senão quem seria morto éramos nós.” Só que os tiros foram pelas costas. Mataram-no covardemente. Todo mundo sabia que o Moleque Sacy não usava arma. Quem foi o mandante do crime? O povo sabe, mas: “Cala-te, boca”. “Em boca calada não entra mosca”. “Quem conversa muito dá bom dia a cavalo”.
Agora ninguém mais teve ódio de Moleque Sacy. “Coitadinho, morreu porque era preto e pobre.” “Porque a mãe jogou praga.” “Foi a sina.” “Tem gente que nasce sem sorte.” Foi essa a conversa, o casuísmo criado sem escrúpulo nenhum. Sempre é assim a sociedade. “Morreu que Deus o tenha.”
Na lousa, o amigo Thiago mandou escrever: “Aqui, jazem os restos mortais de um garoto de 17 anos, rejeitado pela sociedade e uma mãe alcoólatra e prostituta.”

Se houver uma história que alguém conheça igual a essa, é mera coincidência.
FIM.