ANEDOTA MATUTA.
Contada por Honorato Ribeiro.
Um matuto era vaqueiro há muito tempo numa fazenda de um senhor muito rico. Mas o matuto não conhecia a cidade e não tinha costume de ver gentes civilizadas. Certo dia o patrão disse para ele:
-Chico, amanhã você arreie seu cavalo cedo e vai à cidade assistir à missa.
-Tá certo, patrão.
No domingo bem cedo, o vaqueiro Chico arriou o cavalo e partiu para a cidade. Chegando lá debaixo de uma mangueira, saltou do cavalo e o marrou. Seguiu para a igreja. Chegando lá, não havia ninguém e ele sentou na última bancada. De proporção que o povo ia chegando e sentando junto dele, ele saia sentava na outra e assim o fez sucessivamente até na última bancada. Ele estava com medo de o povo fazer alguma coisa contra ele. Então ele resolveu subir o altar e sentá numa cadeira ao lado do altar. Quando ele viu entrando o padre e o sacristão para celebrar a missa. A missa era celebrada em LATIM. A fazenda do vaqueiro se chamava TORORÓ. O padre começou a celebração em latim e abriu os braços para o povo e disse: Dominus vobiscum. Respondeu o sacristão: Et cum spíritu tuo. Nesse momento o matuto já estava morrendo de medo e os olhos arregalados pro padre. O padre virou para frente do altar; subiu os degraus e disse com os braços abertos: Oremos!..
O matuto saiu correndo feito um louco e pegou o cavalou, meteu as esporas, o chicote no pobre cavalo numa carreira de louco até a fazenda. Quando chegou lá, saltou e entrou porta adentro e o patrão o recebeu lhe perguntando:
-O que foi Chico, que aconteceu?!
-Meu patrão, num vou mais naquele lugar.
-Mas, por quê, Chico?!
Vou lhe contá, patrão. Cheguei lá, num tian ninguei e eu sentei num banco cumprido. Daí veio uns home cum as mué me imprensano. Eu saí sentei notro e notro, e eles me apertano. Num tian mais banco e curri e sentei num lá irriba perto duma mesona. Quando eu vi, patrão, chegou um home de saia e arregalou os zoio pra mim, abriu os braços pro povo e perguntou: Donde é esse bicho? E o povo respondeu, patrão: è do TORORÓ. Ah, quando eles dissero donde eu era, patrão, o home de saia virou pra mim, subiu pra cima de mim, abriu os braços e disse: AGARREMOOOO... Aí, patrão eu saí na carreira, peguei meu cavalo, nem zoei pra traz e aqui estou e num quero mais sabê de ir naquele lugá...
Explicando o que o matuto entendeu e interpretou: Dominus vobiscum: Donde é esse bicho? Et cum spiritu tuo: É do Tororó. Oremos: Agarremo.
O matuto tinha suas razões.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
A jura foi quebrada.
A JURA FOI QUEBRADA.
História contada por dona Gertrudes.
Do livro de Honorato Ribeiro.
Numa fazenda havia um peão chamado Francisco que
cuidava dos bois para puxar o engenho de cana. Eram mansos. Todos os dias que
ele acabava a moagem ele levava os bois para o curral. Um dia, não sei por que,
os bois ao chegar à porteira do curral se esquivavam e saiam doidos para não
entrar. Seu Francisco corre dali, corre daqui, mas os bois sempre recuando
entrar no curral. Ele já cansado e chateado à beça, zangado como estava, fez
uma jura:
-De hoje em diante eu quero que o diabo me leve para o
inferno, no dia em que eu colocar estes bois para o curral. Mal ele acabara de
fazer a jura os bois sozinhos, sem ele tocá-los entrou no curral. Ele fechou a
porteira e foi embora. Um velho, que era o zelador da casa de engenho, escutou
a jura e disse para Francisco: Olhe lá, rapaz, essa jura que você está fazendo!
Já eram umas seis horas da tarde, quando aconteceu esse episódio. O velho que
escutou a jura de Francisco guardou as palavras dele e ficou temeroso.
No outro dia, seu Francisco levantou-se e foi ao
curral pegar os bois para atrelar no engenho como de costume. Trabalhou o dia
todo, quando chegou ao fim da jornada de trabalho, à tarde, ele foi levar os
bois no curral. Tudo normal. Os bois eram mansos e entrou no curral
tranquilamente. Francisco fechou a porteira e foi para a casa. À noite, todos
se recolheram para os seus aposentos. Numa sala grande havia muitos sacos de
caroços de algodão para dar o gado bem como saco de algodão. Francisco se
servia dos sacos para dormir. Quando foi à meia noite, o velho viu um sujeito
forte, negro, entrando na casa e se dirigiu ao Francisco e começou a chamá-lo:
-Francisco, acorde. Eu vim lhe buscar. Acorde, homem.
E chamava sem cessar. E Francisco gemia, rolava de um lado para o outro e não
acordava. Então o sujeito o agarrou nos braços para o jogar em um laço que
estava amarrado nos caibros do telhado. O velho viu e ficou esperando o que
iria acontecer. Quando o velho viu o sujeito com Francisco nos braços fazendo o
balanço para jogá-lo no laço, o velho se levantou e deu um enorme grito que
acordou toda a casa. O sujeito errou o laço e Francisco se esborrachou na
sacaria. Todos correram para saber o que tinha acontecido e o velho contou:
-Foi o diabo que veio buscar Francisco, pois, ele
disse em sua jura, que no dia em que colocasse os bois no curral, que ele daria
a sua alma ao diabo. Ele quebrou a jura e o diabo em forma de gente veio lhe
buscar.
-Não pode ser! Disseram.
-Olhe lá o laço dependurado no caibro!
-Que coisa impressionante, meu Deus! O velho disse:
-O que iria acontecer? Iriam pensar que ele tivesse
suicidado, pois íamos ver o seu corpo dependurado, pelo pescoço sendo
enforcado.
Francisco ficou assobrado e agradecido ao velho por
ter lhe salvo a vida.
Muita gente gosta, no momento de aflição ou de raiva,
fazer jura que não cumprir. Talvez essa história que acabo de contar existam
muitas delas que parece uma coincidência ou semelhança, mas nunca deva brincar
com coisas sérias.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
História de Dom Eduardo.
A HISTÓRIA DE DOM EDUARDO.
Contada por dona Gertrudes.
Do livro escrito por Honorato Ribeiro das Santos.
Havia um jovem que se chamava Dom Eduardo e cantava divinamente bem acompanhado com sua viola. A princesa, filha do rei, ficou apaixonada por ele e queria se casar com ele. Um dia, à noite, ele pegou a sua viola e começou a cantar. O rei ouviu e ficou encantado com a voz do rapaz e chamou a filha. A história é toda cantada e contada. Porém, aqui eu escrevo e narro sem a partitura. Foi assim o chamado do rei à sua filha Solinda:
Ó minha filha, venha ver,
Venha ver que canto real!
Ou é um anjo do céu, Solinda,
Ou é a sereia do mar.
A filha Solinda respondeu cantando:
Não é um anjo do céu
E nem a sereia do mar.
É o senhor Dom Eduardo, Solinda,
Que comigo quer casar.
O rei quando escutou a filha falar, cheio de ódio respondeu para a filha:
Se eu soubesse de certeza
Eu mandava o matar
Com sete carros de lenha, Solinda,
Eu mandava o queimar.
Ao ouvir o que o pai tinha dito, imediatamente Solinda correu e foi avisar a Dom Eduardo:
Vai se embora Dom Eduardo,
Que meu pai quer lhe matar;
Em prazo de sete anos, Solinda,
Espera a princesa lá.
Então ele foi embora para não ser morto pelo malvado rei. Sete anos se passaram e a princesa foi ao encontro do seu Romeu, Dom Eduardo. Mas ao chegar à cidade onde ele morava, foi à sua casa e o encontrou já casado e com filhos. Ele não acreditou nela e por isso não a esperou casando-se com outra. Quando ela viu que ele já era casado, perdendo, assim, a sua esperança, caiu no chão e morreu. A esposa disse a Dom Eduardo:
-Dê um beijo nela, talvez ela volte à vida. Ele abaixou-se e a beijou, mas caiu morto também.
Houve, então, o funerário dos dois e enterraram numa só sepultura. Plantaram dois pés de flores: dália e margarida. Elas iam crescendo, crescendo até que em cima se abraçaram formando um arco cheio de flores. Assim acabou a história de Dom Eduardo e a princesa Solinda.
Muita gente foi ao cemitério ver a sepultura daqueles que amaram e continuaram amando-se e transformando em rosas se abraçaram para a eternidade.
Fim.
Contada por dona Gertrudes.
Do livro escrito por Honorato Ribeiro das Santos.
Havia um jovem que se chamava Dom Eduardo e cantava divinamente bem acompanhado com sua viola. A princesa, filha do rei, ficou apaixonada por ele e queria se casar com ele. Um dia, à noite, ele pegou a sua viola e começou a cantar. O rei ouviu e ficou encantado com a voz do rapaz e chamou a filha. A história é toda cantada e contada. Porém, aqui eu escrevo e narro sem a partitura. Foi assim o chamado do rei à sua filha Solinda:
Ó minha filha, venha ver,
Venha ver que canto real!
Ou é um anjo do céu, Solinda,
Ou é a sereia do mar.
A filha Solinda respondeu cantando:
Não é um anjo do céu
E nem a sereia do mar.
É o senhor Dom Eduardo, Solinda,
Que comigo quer casar.
O rei quando escutou a filha falar, cheio de ódio respondeu para a filha:
Se eu soubesse de certeza
Eu mandava o matar
Com sete carros de lenha, Solinda,
Eu mandava o queimar.
Ao ouvir o que o pai tinha dito, imediatamente Solinda correu e foi avisar a Dom Eduardo:
Vai se embora Dom Eduardo,
Que meu pai quer lhe matar;
Em prazo de sete anos, Solinda,
Espera a princesa lá.
Então ele foi embora para não ser morto pelo malvado rei. Sete anos se passaram e a princesa foi ao encontro do seu Romeu, Dom Eduardo. Mas ao chegar à cidade onde ele morava, foi à sua casa e o encontrou já casado e com filhos. Ele não acreditou nela e por isso não a esperou casando-se com outra. Quando ela viu que ele já era casado, perdendo, assim, a sua esperança, caiu no chão e morreu. A esposa disse a Dom Eduardo:
-Dê um beijo nela, talvez ela volte à vida. Ele abaixou-se e a beijou, mas caiu morto também.
Houve, então, o funerário dos dois e enterraram numa só sepultura. Plantaram dois pés de flores: dália e margarida. Elas iam crescendo, crescendo até que em cima se abraçaram formando um arco cheio de flores. Assim acabou a história de Dom Eduardo e a princesa Solinda.
Muita gente foi ao cemitério ver a sepultura daqueles que amaram e continuaram amando-se e transformando em rosas se abraçaram para a eternidade.
Fim.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
VIGÉSIMA SEGUNDA.
O preconceito social.
Havia, aqui, em Carinhanha, uma
jovem de família rica, a moça mais linda que houve aqui. Quando havia uma peça
teatral ela fazia parte e gostava de cantar. Tinha uma voz muito linda e era
ritmada. Ela tinha cinco irmãs e um irmão. Era a prenda da cidade. Quando ela
saia a passear com a irmã caçula, se vestia muito bem, os olhos dos jovens se
encantavam pela beleza natural da donzela. As festas da elite ela frequentava e
todos os jovens queriam dançar com ela. Além de bonita, dançava divinamente
bem.
Chegou aqui a companhia para a
construção do aeroporto. Muitos operários, mestre de obras e um engenheiro.
Esse era galã e conquistador das mocinhas. Mas a mais linda era a jovem Suzana.
[Mas não era a do livro de Daniel]. Essa era carinhanhense. Esse engenheiro deu
pra o lado dela a conquistar. Jovem ainda adolescente, caiu na armadilha do
conquistador, que já era casado. Suzana caiu nas más línguas do povo, que nunca
tinha acontecido, era sempre respeitada e adorada por sua beleza de nascença,
ficou enamorado do cujo sedutor. Como as línguas ferviam em comentários, até o
irmão, saiu armado para pegá-los em flagrante, mas eles fugiram de avião para
outras plagas. Passados tempos sem a notícia dela, veio, um pouco tardia, que o
dito engenheiro sedutor havia abandonado nas ruas das amarguras. Sofreu, pois,
foi preciso viver em prostíbulo para poder manter a sua beleza e a sua vida
econômica. Apareceu um anjo da guarda, engenheiro rábula, muito rico, e a
convidou para viver com ela. Suzana naquela altura de má vida, aceitou a nova
aventura sem pensar nas desventuras, mas arriscou novamente. Ele tinha aviões e
era rico, mas extravagante qual o “filho pródigo”. Viajava constantemente de
avião com ela para a cidade mineira, Belo Horizonte e outros lugares
encantados. Parecia os dois amantes do romance de Willian Shakespeare, Romeu e
Julieta. Mas é como disse da narração do evangelho de João: O filho pródigo,
tal qual aconteceu: Dinheiro foi acabando, foi vendendo o avião e mais outro,
carro e ficou pobre até do seu grande amor de Suzana. Suzana, que mantinha a
sua beleza impecável voltou à casa dos pais. Assim que chegou, os comentários
se alardearam de boca em
boca. As festas dançantes ela era barrada. O preconceito
social era tão grande que, quando ela saiu à rua com sua irmã, as janelas se
abriam e apareciam nelas os olhares curiosos e a “matraca” a soar, como se
fosse a da semana santa nas mãos de dona Aniceta. Sofreu humilhações atrozes
dos próprios conterrâneos. E a pior eu vou narrar: Domingo ia haver uma partida
de jogo de voleibol em disputa de campeonato e toda a família carinhanhense
iria. Então a mulher do prefeito, a primeira dama soube que a Suzana iria.
Então ela falou com o esposo para impedi-la de ela ir a esse evento esportivo.
Então, o prefeito mandou chamar o sargento, cujo sargento era o delegado.
Chegando lá o prefeito disse-lhe: Mandei lhe chamar, porque hoje à tarde vai
haver um jogo de voleibol e toda a família irá. Mas você irá impedir a
prostituta Suzana para que ela não vá a esse evento familiar. Vá à sua casa e
avise a ela para ela não ir. E se ela teimar ou desobedecer as suas ordens,
pode prendê-la. O sargento saiu imediatamente sem saber em que balaio de gato
ele estava mergulhando. Chegando lá, bateu palmas e ela foi atender. Ao chegar
o sargento deu-lhe as ordens até ameaçadora. Quando o irmão do coronel de
Salvador, cujo coronel era irmão de
Samuel, o padrasto de Suzana ouviu aquele desaforo e disse com voz forte
e segura como a maior autoridade e respondeu nas alturas:
-“Sargento, eu lhe afirmo com
toda certeza que ela irá e o senhor não irá impedi-la.”
-Respondeu o sargento: “Se ela me
desobedecer eu a prenderei.”
-Não vai não, sargento. Sabe com
quem o senhor está conversando? O senhor conhece o coronel, fulano de tal?
[Disse o nome do irmão do dele e padrasto de Suzana].
-Conheço. Ele é o meu chefe.
-Pois, fique sabendo que ele é o
meu irmão. Se o senhor impedi-la de ir a esse evento eu comunicarei ao meu
irmão, seu superior imediatamente e o senhor, sargento, irá embora daqui
imediatamente e será punido.
-Puxa! Eu não sabia, seu Samuel,
me perdoa. O senhor sabe como é o interior. O prefeito mandou e eu tinha que
cumprir, mas eu vou avisar a ele e ela poderá ir tranquilamente.
-Pois, dê o recado para esse
prefeito quem manda aqui, se é ele ou eu. Porque ela irá.
O sargento saiu e foi avisar o
prefeito, que quando ouviu, chamou a esposa e disse o recado do seu Samuel.
Então a madame disse ao marido: Então você vai avisar os jogadores que não irá
mais haver o jogo. Quero vê-la ir. O prefeito mandou o sargento suspender o
jogo; e não houve mais o campeonato.
Mas a madame não satisfeita,
quando viu Suzana passeado no jardim da Praça da Matriz com sua irmã, ela
mandou todas as moças e jovens saírem do jardim e passear na rua fora do
passeio do jardim e sua ordem foi cumprida. Era noite de domingo e o jardim
estava repleto de moças e rapazes. Foi o maior absurdo que eu já vi em toda a
minha vida. Preconceito social? Machismo? Nem um, nem outro, mas desrespeito à
pessoa humana. Graças a Deus que nunca mais houve e não haverá uma baixaria
dessa em nossa terra.
Mas a sorte de Suzana estava para
chegar e chegou. Um jovem jornalista e professor, quando chegou aqui do Rio de
Janeiro e botou os olhos em Suzana ficou louco de amor. Fez poesias, fez
seresta, mandou cartas e mais cartas até que “Davi” derrotou o gigante Golias.
Casou-se com ela e ela deu à luz um filho e depois outro, mas outros e vivem
bem como Romeu e Julieta. Colou-se a hipócrita da sociedade, bem como a madame
a boca na “botija” e o prefeito também. Todos, hoje, têm Suzana como uma
senhora de bem, honrada e bem casada. Não importa o passado, mas o presente sem
queixumes do pretérito.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Mestre Honorato, ai está um pouco do nosso trabalho em parceria com o
poeta Marcelos Nunes, FORRÓ NO VELHO, registrado em video pela lente do
percussionista e amigo piraporense, DJ Pena, cenas do nosso show no
vapor Benjamim Guimarães sobre as águas do Velho Chico, na cidade de
Pirapora-MG. ESSE É O NOSSO GRITO, VAMOS O RIO SALVAR!!!!!
http://www.youtube.com/watch?v=RwSX2gdFum8
http://www.youtube.com/watch?v=RwSX2gdFum8
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Amai o próximo como a ti mesmo.
AMAI O PRÓXIMO COMO A TI MESMO.
Texto de Honorato Ribeiro.
O evangelho de Mateus afirma que
um dos fariseus perguntou a Jesus: “Mestre,
qual é o maior mandamento da lei?” Respondeu Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de
todo teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo,
semelhante a este, é: amarás teu próximo
como a ti mesmo. Nesses dois mandamentos se resumem toda lei e os profetas”.
(Mt 22, 36-40).
Que texto difícil para uma
análise sem fundamentalismo! Portanto,
tentarei entender fazendo a minha exegese e interpretando a resposta de Jesus
num sentido teológico e mais obviamente. Primeira resposta da questão em pauta
está no final: “Nesses dois
mandamentos se resumem toda lei e os profetas”. Jesus simplifica e junta o Antigo Testamento
e o Novo Testamento numa só lei: a Nova Aliança que Ele fez com o Pai à toda
humanidade. Tudo agora é Novo. É Moderno, é o progresso numa evolução e
transformação do homem novo com a Boa Nova ensinada por Ele, que nós lemos nos
Santos. Evangelhos. Ele, Jesus, o novo Moisés que veio libertar a humanidade
com essa nova pedagogia do Ágape. É o próprio Deus, o Amor, que é vida em tudo e em todos. É o Cosmo, é o
Universo, a Eternidade.
Como podemos amar com o coração,
a alma e espírito a alguém que nós não conhecemos e nem nunca vimos? Quem é
Deus? Quem já viu Deus? Como é a sua forma? O seu corpo? Deus tem corpo como
nós? Diz o Catecismo: “Deus é
espírito perfeitíssimo Criador do céu e da terra e todas as coisas visíveis e
invisíveis”. Mas como podemos amar um espírito, que é invisível? Para
nós terrestres é fácil amar o que a gente vê, toca, e convive, mas o que não
pode ver é muito difícil amar.
Sendo difícil amar quem não vê,
Jesus nos dá um bom exemplo para cada um de nós como devemos amar a Deus sobre
todas as coisas com o coração a alma e espírito. Disse Jesus: “Quem me vê, vê o Pai, porque. Eu e o Pai somos um só”.
Bem, os apóstolos, discípulos e o povo que conviveu com Jesus, nos anos
vinte de nossa era, viu a Jesus. Vendo-O, viu Deus. E nós, hoje, vemos com os
olhos da alma espiritual. Pela a história sabemos que existiu um homem perfeito
que se chamou Jesus Cristo. Embora nós saibamos um décimo de sua história.
Também, os exegetas, os teólogos e os historiadores que estudam a cristologia
provam a existência de Jesus Cristo bem como as suas obras e os seus
ensinamentos e seus milagres.
Aí já entra uma mística com a
força da crença com base na fé. A fé nós não podemos provar cientificamente.
Mas ela existe em cada um de nós. Quer sejamos cristãos ou que sejam outros
religiosos de outras religiões.
Jesus afirma que, para amar a
Deus terá que amar o próximo como a nós mesmos. Mas se eu amar a mim mesmo não
sou uma pessoa egocêntrica?
Uma pessoa individualista e
egoísta? Como posso eu me amar? Se eu me amo, sou apenas um ser terrestre. Um
ser desse mundo. Eu cuido de mim, de meus problemas, da minha saúde da minha
educação. Cuido do meu corpo. Estou envolvido num mundo consumista apenas. Como
posso entender esse amai o próximo como a mim mesmo? Só posso entender, quando
eu me entregar de corpo e alma espiritual ao outro. Sentir a dor do outro.
Entender os valores dos outros. Vê Deus nos outros e em todas as coisas criadas
por Ele. Quer as visíveis quer as invisíveis. Só vou entender essa teologia, se
eu compreender que não sou da “Cidade
Terrestre e sim da Cidade Celeste, como afirma Santo Agostinho”. E ter
consciência com a experiência do Cristo que doou a sua vida pela causa da
humanidade. Eu sou uma parte da essência de Deus. Faço parte do corpo de Deus.
Aí compreendo que estou fazendo parte da Mística do criador. Por essa razão eu,
para amar a Deus sobre todas as coisas, devo amar o próximo, pois ele é a
imagem de Deus assim como eu o sou. Aí está a unidade dos valores do Ágape.
Compreendo que a Trindade é o Uno, O absoluto. O amor não tem fronteiras. Ele é
a presença de Deus Onipresente em cada criatura e em cada átomo. Em toda a
ecologia está a presença de Deus. E tudo é sagrado. E quem é o próximo? É todo
aquele que convive comigo, na comunidade onde moro, principalmente os
excluídos. Com mais profundezas da alma é toda a humanidade, principalmente os
nossos irmãos e irmãs da América Latina e da África, que são os mais sofridos e
se parecem mais com a Paixão de Jesus Cristo. O amor ao próximo é mais
evidente, mais óbvio na caridade: “Eu
estava com fome e me destes de comer...”
Aqui está a minha visão dessas
palavras no evangelho de Mateus, que Cristo afirmou ao doutor da lei qual era o
maior mandamento. Esta é a minha compreensão e a minha exegese que faço ao ler
essa passagem no evangelho de Mateus. Não é fácil ver Jesus num marginal, num
mendigo, num preso, num doente, num despido ou esfarrapado, num sem teto,
enfim, num excluído. Eis o amor que Jesus nos ensinou a nos amar uns aos outros
sem exceção. O amor ÁGAPE.
FIM 29/06/12. Dia dos apóstolos Pedro e Paulo.
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