sábado, 12 de agosto de 2017

A MISSIVA



A CARTA.
Poesia de Honorato Ribeiro dos Santos.

Pai!
A coisa aqui está preta!
Não há mais dinheiro na gaveta,
Tudo é no banco, na poupança,
Quer dizer, pai, de herança!
O valor só quem tem os teres.

Pai!
Naquele tempo do senhor,
Que era bom, me mostrou
Sua bela e boa educação
Fez de mim um cidadão.
Que grande sabedoria,  paizão!

Pai!
Com apenas dez anos aprendi,
Punha-me ao labor, a carpir;
Hoje há lei, pai, proibitória;
O filho não ver palmatória!
Que moratória, diz a lei.

Pai!
Mas pode ficar, pai, na rua!
Aprendendo roubar até a lua!
E fumar droga, pai, e a roubar;
Naquele tempo, pai, era só amar!
Hoje diz que é cafonice, Pai!

Pai!
A coisa aqui está mudado!
Menino enfrenta soldado,
Não há respeito aos idosos,
Nem aos professores bondosos!
Oh! Que medo de lecionar, Pai!

Pai!
Aprendi com a enxó na mão,
Com o serrote, a plaina, o formão!
Dez anos eu tinha, inda pequeno,
E tudo era tão bom, tão sereno!
Mas aprendia ser cidadão, Pai!

Pai!
Um fio de barba era documento!
Hoje não é mais mandamento;
Os homens perderam a vergonha,
A ética, a moral é tudo pamonha!
Tem mais valor do que gente, Pai!

Pai!
Esta minha carta pro senhor,
Que fez tudo e me educou,
Naquele tempo, não entendia,
Achava errado, pois não sabia,
Agora, pai, tenho que lhe agradecer.

Pai!
Não repare meus senões,
Mas aprendi com razão
A amar, também perdoar,
Pois, pai, aprendi a valorizar.
O que aprendi com o senhor.

Pai!
Obrigado por tudo que me ensinou
Por isso hoje sou poeta e escritor;
Professor, maestro e conselheiro,
Foi assim que fui carpinteiro,
Padeiro, pintor, cantor, compositor.

Pai!
Vou terminar a minha missiva,
Pro senhor ler a primitiva
Pois hoje é tudo pelo celular,
Ninguém tem tempo pra orar
E agradecer a Deus e não pecar.

Assinado, seu filho caçula que lhe ama
Até hoje não me esqueço da sua fama
De violeiro, marceneiro e tocador;
De chula, rio abaixo e cortador
De madeira para o fabrico de violão.

Pai, parabéns pelo seu dia de hoje
E todos que souberam educar!
Viva o Dia dos pais!

quinta-feira, 30 de março de 2017

CORDEL DA DENGUE.



  AEDES AEGYPTI –
  CORDEL LIVRE EDIÇÃO PEDAGÓGICA

Não existe inseticida
Que dê jeito nem decisão
É um mosquito potente
Meu Deus, que fino ferrão!
Diante deste momento!
De tanto ver sofrimento,
Vacine logo, meu irmão.

Se não tomar o cuidado
Nossa triste situação!
Também há febre amarela
Há mosquito de montão
Quase não pude com ela
Não há veneno, qual dela!
Pro combate em decisão…

Não há solução que a vingue.
Este temível mosquito
Que nunca vai e sempre fica
Que arrebenta tão esquisito.
Com o tal de Zika então
Vírus que traz qual sezão
E a estatística eu ratifico.

 Zika Vírus infernal!
Que merece bom cuidado,
A microcefalia ataca
É mais um fator malvado!
Já não bastava a agonia,
Surge então a epidemia,
Que assola o nosso estado.

Febre amarela e a zika, dengue,
Vírus, que mata bastante,
Surgiu a peste nome novo
Dengue, zika é constante,
Chinkugunya a peste mata,
Como a dengue que é exata.
Mais uma que é diferente!

Se não vacinar o povo
O que será da Nação.
Espalhou em todo Brasil
O mosquito de ferrão.
Foi dado o primeiro nome.
Aedes Aegypti cognome.
Segundo nome e então.
O governo brasileiro
E o Ministro da Saúde
Ta educando todo mundo.
E prevenindo a miúde, 
E não há quem se engane,
Tudo começou em pane,
A África toca o alaúde!

Descoberto lá no Egito
Com força fugaz da morte
Com a fúria ferrabrás
O mundo inteiro sem sorte.
Período colonial
Com patente regional,
Assine-se na ata e anote.

Em um navio mercantil
Chamados navios negreiros
Que ele chegou ao Brasil
Juntamente os guerreiros
Este povo da Nação.
Há bastante escravidão
De africanos estrangeiros.

Foi criado Aedes transgênico
Solto na mãe natureza
O mosquito da tal Dengue
É mosquito com esperteza
O povo está assombrado
E o governo tão alarmado
Cria vacina com certeza.

Não existe inseticida,
Que dê jeito não senhor!
Neste inseto tão potente
Meu Deus, livre! Que horror!
Diante deste momento,
Alarmante de repente,
Cuide de mim, seu doutor!

A situação é péssima
E muito periclitante!
Antes foi a febre amarela
Hoje a dengue está presente
Quase em todo o nosso País,
Ninguém pediu, ninguém quis.
Reze a Deus Onipotente.

Pra combater esta peste
Não existe prevenção!
Este temível mosquito
Que nunca vai morrer não!
Que arrebenta o nosso  povo
Quebre na sua testa um ovo
Ou coloque no caixão.

Com este nome de Zika
Vírus que traz muita dor
E a estatística confirma.
É Zika apavorador
Que é um vírus fatal
É em qualquer capital!
Até mesmo em Salvador.

Já não bastava a agonia
Que assola o nosso país?
Surge mais epidemia!
Febre amarela febris;
É um nome diferente
Que surgiu tão de repente,
Nesse céu em cor de anis.


Surgiu peste e tanto nome,
Desde o sul até o norte
Dengue, zika, chinkugunya
E o povo com muita sorte
Basta a fome e tal pobreza
E muitos com sua riqueza!
Não tem pasto pra garrote.

Foi dado o primeiro nome.
Aedes Aegypti o seu segundo.
Não importa como chame,
Se deixar, arrasa o mundo.
E não existe a quem se engane.
Tudo vira qual salame
Cai na lama bem profundo.

Na velha terra africana.
Com força fugaz devera
Descoberto no Egito
Com sua fúria severa
O mundo inteiro se alastra.
Foi tão veloz que se arrasta
Matando gente qual fera.

Foi nos navios negreiros
Que ele então chegou ao Brasil
Juntamente com escravos
Este povo varonil.
Foi criada a realeza
Liberado na natureza
No céu lindo cor de anil.

Acasalando com a fêmea.
Gerando larvas que então
Morre antes da fase adulta
Uma vitória em galardão.
Mas não se iluda, amigo,
O vírus é um inimigo!
E tem um forte ferrão.

Precisamos ter coragem.
E bastante precaução,
Combatendo dia e noite,
A sua proliferação.
Tenha muita consciência
Tenha muita paciência,
Água parada no chão!

É morada do inseto.
Vasos, garrafa e pneus.
Todo objeto deixe limpo,
Lixo na lixeira, são seus;
Os cuidados, cidadão!
São seus e de sua Nação!
Se caso seja Romeu.

Vou terminar meu cordel
Que é meu e de João Nogueira
Professor tão competente
Que corrija, Zé Pereira!
Pois eu não sei mais rimar
Esqueci-me, só sei amar!
A contagem deu rasteira.

FIM.
Carinhanha, 30 de março de 2017.



terça-feira, 14 de março de 2017

MINHA ODE AOS POETAS.



AOS AMIGOS POETAS.
Honorato Ribeiro dos Santos.

Venha, doutor Carlos Barral,
Venha, Bráulio com o violão,
Venha, Cevisa, Paulo Gabiru,
Venha, poetas do meu sertão!

Venha, Vavá e Pedro Sampaio,
Venha, Chico Leite e a linda Sibele,
A poetisa e cantora cantar suavemente,
Cantar versos, recite, Dr Daniel!

Poetas e compositores, venham!
Compõem versos madrigais,
Recitem versos de Castro Alves,
Venham, Tom Jobim, imortais!

Venha, Carol Ivo, cantar seu canto,
Canto de amor com seu violão,
Chame também o Casadinho,
Zé de Patrício, Wagner primo irmão!

Chame também Manu da Bahia,
Poeta da terra de seresteiros
Chame Manoel Bandeira imortal,
Carlos Drummond poetas verdadeiros!

Hoje é o nosso dia de versejar,
Compondo romance de amor!
O imortal Jupepi, grande poeta,
Venha, escrever versos e compor!

Eu sou da Bahia de São Salvador!
Das morenas, loiras e mulatas,
Das negras do vatapá, abará e acarajé;
Venham, com seu rebolado que maltrata!

Ó deusa euterpe da música e da poesia!
Inspire os nossos poetas a fazer canção!
Cantem cantores, cantem uma sonata!
De Beethoven e terem-nos da solidão!

Chamem Carlão da gaita e Claudemiro,
O Dinda, Valnir, Toinho, o  Flamarion,
Chame Dr Sérgio Joaquim de Araújo,
Vamos lembrar do Gonzaga e o acordeom!

Venham, poetas, com suas poesias de cordéis!
Venham, poetas nordestinos, versejar!
Venham, juntem-nos, somos menestréis!
Venham, escrevam canções para ninar!

Venha, Helena de Paula, escritora e poetisa.
Venha, me aplaude meu poema em frenesi!
Venha, poeta João Nogueira, ouvir-me!
Quero cantar qual tal canta o bem-te-vi

 Venha, Dr Wallysson Viana, cante, toque:
"Berilo, venha cá me dê um abraço" Venha!
Chame Geraldo Ribeiro do sete cordas
Sua voz suave, linda, ó Nossa Senhora da Penha!

Nos abençoe, nos proteja, nós os poetas!
dessa cidade sanfranciscana de cantores:
Norma, Eli, Terezinha, Rozinha Zé Hélder e Dadi
Cada um levando vós, mãezinha, nos andores!

Venha, poeta e escritor, meu nobre amigo!
Lá do pantanal, Hemélio Silva, faça poesia,
E poema como sempre sabe fazer muito bem!
Pegue a caneta, dê-me seu autógrafo, me envia.

Artur Viana, venha tirar a foto dos poetas!
Pegue sua máquina fotográfica, venha de avião!
Você é um grande artista dessa terra maravilhosa!
Venha, Artur Viana, venha, tire uma foto, meu irmão!

terça-feira, 7 de março de 2017

FORÇA DA MENTE.



O PODER DA MENTE.
Crônica de Honorato Ribeiro dos Santos.
Morei com um padre holandês que era poliglota e parapsicólogo. Muitas vezes eu vi chegando à sua casa pessoas descontroladas psicologicamente, alucinadamente, e em poucos minutos saiam sadios. A parapsicologia é uma nova ciência que trata de vários fenômenos de natureza para normal. Entre elas estão: Hiperestesia. A mente de uma pessoa que é cega consegue ver com o lóbulo da orelha esquerda, o com o dedo; consegue ver também pela fronte. Cumberlandismo a pessoa advinha qualquer coisa que a pessoa pensar ou escrever num papel que ela não veja. Outro poder da mente humana é a pantomnésia, é a memória de tudo, fatos que aconteceu em tempo de criança de berço numa fazenda; e o subconsciente gravou tudo. E, tempos depois, já adulta recorda que esteve naquela casa e fala detalhadamente as pessoas dessa casa até a roupa que vestiam. Xenoglossia é a pessoa analfabeta falar línguas estrangeiras como se fosse poliglota. Esse fenômeno eu posso contar com segurança, pois eu fui com o padre Frans Bèrénos à uma casa de uma senhora analfabeta que falava com voz grave como se fosse homem. O padre começou a falar em latim e ela respondia fluentemente. E depois começou a falar inglês, Francês e um bom português. O padre sussurrou no ouvido dela, pôs a mão na sua cabeça e ela voltou ao normal.
Outro fenômeno constante, já aconteceu comigo, é a telergia, quando você toca numa pessoa e sente um enorme choque elétrico. A natureza da telergia é uma espécie de eletricidade, que não se submete, contudo, às leis físicas comuns que governam a eletricidade. A telergia produziria seus efeitos de um modo análogo à eletricidade estática, como se o corpo do dotado estivesse carregado de alta tensão em torno do corpo do dotado se formaria um campo eletromagnético especial. O Dr russo, Younevitch comprovou que a telergia emanada de certos dotados, atravessa chapas metálicas com um poder de penetração superior ao dos raios X e ao dos raios gamma do rádio. A telergia atravessa até chapa de chumbo de três centímetros de espessura colocada a um metro de distância do dotado em transe. Vejam a potência que tem nossa mente. Fotogênise acontece em certas pessoas especiais se cobrem de claridades elétricas ou produzem faíscas. Trata-se de pessoas especiais em um estado neurofisiológico peculiar, isto é, pertencem ao enorme número de pessoas chamadas “dotadas parapsicologicamente”. Telecinesia é a ação parapsicológica sobre objetos distantes, comandados, às vezes, até pela vontade consciente, porém geralmente pelo inconsciente. É um fenômeno que, desde a mais remota antiguidade e em todos os povos, se atribui a certos dotados. As telecinesias são inumeráveis: mesas e cadeiras que movem e se elevam no ar, móveis são arrastados; uma campainha, um tamborim, um bandolim, uma trombeta, um violão, etc, se transladam tocando e revoluteia pelo ar, sobre a cabeça dos espectadores. A ectoplasmia é outra força do poder da mente do dotado. É o caso de uma mesa suspender no ar a 50 centímetros e um homem forte não tem força para que ela fique no chão. A fantasmogênise é a produção ectoplasmática de um fantasma inteiro, ao menos aparentemente, de pessoas, animal ou objeto. Uma mulher viu uma forma fantasmagórica avançar pela sala, apossou-se de um acordeão e, em seguida deslizou pelo apartamento tocando o instrumento. A mulher deu um pequeno grito e a sombra desapareceu. Um senhor que era médium estava no local, quando aconteceu esse fenômeno. Bem, existem muitas pessoas que já nasce com esse dom de ser dotado e fazem coisas com a força da mente.
Passo a contar uma criança de 10 anos apareceu aqui com os pais. Esse garoto viu uma imagem de N. S Aparecida e pediu ao pai para comprar para ele. Assim que a santa chegou à sua casa, o garoto colocou-a num prato e a imagem começou a chorar lágrimas de óleo de Oliva. Eu tinha recebido uma visita de um psicólogo e um jornalista e fomos ver o garoto com a santa. Chegamos lá, vimos que a imagem de N. S. Aparecida saia de seus olhos e escorregava pelo corpo da santa até o prato o óleo. Eu e os dois visitantes que foram comigo, nós colocamos o dedo no prato com o óleo e vimos que realmente era óleo. Quando o garoto saia, a santa deixava de escorrer óleo pelos olhos. Saímos e no meio do caminho o psicólogo perguntou-me: O que tem a dizer sobre a santa, seu Honorato. Eu lhe respondi: O garoto é que faz a santa sair óleo dos olhos. Ele é para normal. Concordo com o senhor, respondeu-me o psicólogo. A mente humana tem todo poder de transformar o impossível no possível. Depois eu farei outra crônica sobre uma pessoa minha amiga que tem essa força parapsicológica.

sábado, 4 de março de 2017

SABE LER E NÃO SABE ESCREVER.



UM GAROTO LETRADO.
Crônica de Honorato Ribeiro dos Santos.
Fui morar em Belo Horizonte, no ano de 1959, no Bairro da Graça, à Rua Guararapes. Lá eu encontrei um garoto adolescente de 17 anos de idade, que falava fluentemente português que parecia um professor de letras. Como ele era ainda adolescente, vi que não poderia ser professor, mas poderia estar frequentando uma boa escola particular e de bons professores. Era o que eu imaginava. Um dia ele me apareceu e começamos a falar juntamente com Antônio Faria, filho do senhor Agenor Faria. Quando o garoto saiu, eu disse para Antônio: Esse garoto deve está matriculado em uma boa escola.  Antônio sorria e, continuou sorrindo. Eu, então, lhe perguntei: Por que você está sorrindo, Tone!? E ele me respondeu: Esse garoto é analfabeto, nem o nome dele ele sabe escrever. Eu fiquei pasmo e lhe disse: Como ele é analfabeto e falando um português erudito desse!? Antônio respondeu-me: É que ele convive somente com pessoas letradas, formadas, médicos, advogados. Ele aprendeu por causa da convivência dele com os letrados. Ele faz compra para essas pessoas e algumas coisas como ir ao correio postar cartas e ao banco colocar dinheiro e tira-lo para eles. Eles gostam muito dele. É pobre e seus pais também. Eu disse ao amigo Tone: Nunca iria saber!
Eu tenho um amigo que só fez a segunda série ginasial, mas sabe falar um português erudito e clássico; sabe histórias dos grandes homens famosos, músicos famosos, história geral e da humanidade. Ele se tornou um grande compositor e violonista. Quem o ver falando, diz logo que ele é um jornalista ou escritor crítico. De quando em vez ele me aparece como uma boa visita e mostrar-me música nova de sua composição. Eu sou fã dele como músico e como erudito em se falando fluentemente a nossa língua tão difícil: O Português.
Uma coisa que ele me disse: Tentei por várias vezes aprender tocar violão por música, ler partitura, mas não entrou na minha cabeça, é muito complicado e difícil, por isso desistir. Mas, quando você, amigo leitor, vir tocando violão e cantando as suas músicas de sua composição, dirá: Ele estudou em conservatório musical, pois é muito bom.
Fui morar em Correntina em 1968, e lá pus uma escola de música e uma escola de ensinar português e outras matérias, menos matemática. Apareceu-me uma pessoa idosa  de uns 60 anos de idade, analfabeta e me pediu para que eu o alfabetizasse. Aceitei o desafio, não cobrei nada dele, pois o admirei, porque seu sonho era pelo menos saber escrever seu nome. Parece-me que o nome dele era Zé de Aurora. Tinha uma venda no Mercado Municipal, mas outras pessoas é que o ajudavam anotar num caderno os fregueses que compravam fiado. Ensinei seis meses até as quatro operações de matemática. Quando vim embora para a minha terra natal, 4 anos depois, fui visitar os amigos, dei saudades. Fui ao Mercado Municipal e lá deparei com o velho aluno meu por detrás de um balcão. Era o mesmo comércio dele. Ele me chamou e fui lhe atender. Em chegando lá, ele pegou um volumoso caderno e me mostrou dizendo-me: Olha, professor, esse caderno de anotações. Sou eu que escrevo e anoto tudo, graças ao senhor. Olhei aquele caderno e vi as letras bem feita, uma caligrafia invejável e as anotações de vendagens fiados. Eu emocionei e lágrimas correram pelos meus olhos de alegria. Ele já tinha 78 anos de idade. Mas a maior alegria não foi minha, mas a dele de agora saber escrever nomes e números em dinheiro anotado naquele caderno.
Não posso deixar de contar essa história. Eu formei um coral de jovens, moças e rapazes na igreja de Nossa Senhora da Glória em Correntina. Na hora da liturgia da palavra era lida a epístola de Paulo, sempre subia uma adolescente de 17 anos para ler. Lia tão bem que parecia ser uma jornalista ou pessoas com nível de faculdade. Fiquei fã daquela jovem. Quando acabou a missa eu perguntei a irmã Oneide quem era aquela jovem que lia sempre epístola tão bem. Ela me disse: Ela é da zona rural e veio aqui estudar, pelo menos escrever o nome dela. Escrever o nome dela!? Sim, Honorato, ela sabe ler, mas não sabe escrever nem mesmo o nome dela. Que!? Eu procurei a jovem e ela me confirmou. Eu, então, disse para ela: Eu estou lecionando para algumas pessoas que não sabem ler nem escrever. Se quiser eu lhe ensino e não vou lhe cobrar nada. E ela aceitou. Foi assim que ela aprendeu a escrever. O nome dela é Rita. Nunca esqueci dela e de sua habilidade de ler bem e não saber escrever nem seu próprio nome.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

UMA BOA EDUCAÇÃO.



A EDUCAÇÃO DA DÉCADA DE CINQUENTA.
Crônica de Honorato Ribeiro.
Existia a cultura das charadas entre os professores e alunos, e a gente aprendia bastante os sinônimos e antônimos de nossa tão difícil língua portuguesa. Havia alunos que se esforçavam mais, e eram respeitados pelos colegas em algumas mais difíceis matérias: Português, Latim e matemática. Certa vez, após a o toque da sineta para o recreio – eu estudava à noite – e começamos a conversar sobre flexão verbal. Quando José Fogaça, contemporâneo, pois ele estava cursando a terceira série ginasial e eu a segunda série. Ele disse-me: Essa história sua, Honorato, só acredito quando eu ver. Então eu lhe respondi: Quando eu ver? Quando eu vir, é o correto. Então ele e outros deram para rir e dizer-me que eu estava errado. Então eu disse ao José Fogaça: Vamos, então, tirar a dúvida com o professor Otávio Samuel dos Santos. Ele estava dando aula de inglês. Eu pedi licença e disse ao professor: Professor, o certo é quando eu ver ou quando eu vir? Ele me respondeu com aquela voz forte dele: “Quando eu vir”, o verbo ver é irregular. Voltamos para o jardim e o José Fogaça disse-me: Não sabia, desculpe-me.
Aluísio Abreu era meu colega de classe. O nosso professor de português era Antônio Pimenta. Muito exigente e gostava de chamar o aluno ao quadro. Então ele me chamou ao quadro e também o Aloísio Abreu e nos disse: Honorato você vai escrever o pretérito perfeito do indicativo do verbo ser, e o Aloísio pretérito perfeito do indicativo o verbo ir. Então eu comecei a escrever: Eu fui, tu foste, ele foi, nós fomos, vós fostes, eles foram. Do meu lado, o Aloísio escreveu: Eu fui, tu foste, ele foi, nós fomos, vós fostes, eles foram. Quando acabamos de escrever, o professor Pimenta – chamávamos de Professor Pimenta – Disse sorrindo: Que é isso, Honorato? Você escreveu a mesma coisa do Aloísio? O Aloísio escrever a mesma coisa do Honorato? Se eu mandei um escrever o verbo ser e o outro o verbo ir, e os dois escreveram a mesma coisa? Quem copiou um do outro? Quem dos dois está certo? E eu lhe respondi: Eu tenho certeza que estou certo, professor. Aloísio começou a sorrir e todos os colegas de sala também. E o professor perguntou ao Aloísio: E você, Aloísio, está certo? Respondeu Aloísio: Sim, professor. Tem certeza que você está certo? Respondeu Aloísio: Com toda certeza, professor. O professor virou para mim e perguntou-me: E você, Honorato? Respondi: Eu tenho plena certeza de que estou certo, professor. Foi um silêncio total na sala. O professor sorrindo, calado, olhando para nós dois, e disse-nos: Ambos estão certos. Agora irei explicar essa coincidência desses dois verbos no pretérito perfeito. O verbo ser, quando você, Honorato, falar: Eu fui vereador. Está falando o verbo ser, ser vereador. Quando o Aloísio disser, Fui a São Paulo, ele está afirmando o verbo ir, ir a São Paulo. Que maravilha de aula! Salientarei aos leitores que a segunda sério ginasial é hoje a sexta do ensino fundamental. Era sempre assim naquele tempo bom de bons professores e de alunos competentes em todas as matérias.
Eu sempre gostava, na sala de aula, soltar umas piadas: O professor Pimenta perguntou-me: Honorato, como se chama as pedras do calçamento dessa praça? E eu respondi: Paralepípedo, professor. Ele, então, sorriu e disse-me: Não é paralepípedo, Honorato, é paralelepípedo. Então eu lhe respondi: Então, professor, tem dois lelé. A sala não suportou e caíram na risada, até o professor. A Nélia de Zeca Abreu e a Florinha de seu Agenor Faria eram minhas colegas de sala. Então, quando a gente se encontrava dizia: Bom dia, lelé. Bom dia, lelé, e eu respondia para as duas colegas: Bom dia, lelé. Nos dias do Grêmio havia o presidente, o vice, o secretário e outros componentes sentavam-se à mesa e chamava o aluno para fazer discurso, outro recitar poesia, outro cantar uma canção. Havia alunos competentes que faziam discursos improvisados, como Gilberto Assunção, Hermelino Cardoso, o Cardozinho, e outros recitavam poesias decoradas. Eu sempre subia levando meu violão e cantava belas canções. Era uma cultura que nos fazia de alunos sábios e muitas vezes cotados na sociedade. No dia primeiro de Maio, dia do trabalho, na Liga Operária Beneficente de Carinhanha, havia um palco para realizar shows e dramas, teatro, os estudantes se preparavam para fazer discurso. O nosso professor de matemática, Antônio Lisboa, Toninho de Zuza Lisboa, sempre fazia discurso no dia primeiro de maio. Dia das mães, todos nós teríamos de preparar bons discursos para subir ao palco e fazermos belos discursos às mães. Era assim a cultura de Carinhanha, na década de 1950 e 1960. Hoje eu tenho saudades daquele tempo e de tantos colegas que eu tive. De bons professores como professor Maurício, professor de latim, Dr Péricles Paulo da Mata, que foi meu professor de História Geral. Que maravilha! Havia a professora Verônica que lecionava matemática; tudo ficou na história cultural de Carinhanha. Juracy Pereira Pinto, professor de Francês, professor Otávio Samuel dos Santos, de Inglês, professora Aparecida era de Geografia e esposa do professor Pimenta. Professor Geraldo e tantos outros... Cada um melhor do que o outro. Era uma riqueza incomensurável, que não voltará jamais.
Não vou deixar de contar essa passagem. Eu já tinha saído como estudante; tinha casado, mas, no dia que havia grêmio, eles sempre me chamavam para eu acompanhar alguns que gostavam de cantar. O professor Otávio Samuel dos Santos era o diretor. Ele presidiu a sessão e começou a chamada. Uns faziam discursos, outros poesias, e chegou a hora de se apresentar o seu discurso, Francisco Nascimento, conhecido por Chico Tabica. Subiu e ficou bem perto do professor Otávio e disse: Hoje é um dia importante, de um famoso escritor. Machado de “Aço”. O professor quando ouviu aquele anúncio, virou e disse: Saia daqui, seu malandro, com seu machado de aço. E a turma caiu na risada. Eis que tempo bom! O nosso Ginásio na casa da Careta! Vinham alunos de várias cidades: Magas, Itacarambi, Coribe, Cocos, Santa Maria da Vitória, Paratinga, Bom Jesus da Lapa, Malhada, Iuiú, Matias Cardoso para estudar em Carinhanha, que se tornou a cidade da cultura. E como anda agora? Parou no tempo. “Na esperança do porvir de herói de capacidade”





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

COMO CORRIGIR?



Ensinou errado e não pode corrigir.
Crônica de Honorato Ribeiro dos Santos.

A Igreja Católica, Apostólica Romana, instituição, fundada no século IV, criou-se diáconos, padres (presbíteros) Bispos, papa, paróquias e dioceses. Em cada diocese há um bispo com várias paróquias; em cada paróquia há um padre como pároco, responsável para administrar a paroquial numa cidade e a zona rural. Desde o século IV, que as celebrações da eucaristia e as demais liturgias eram celebradas em latim e o padre ou bispo e o acólito de costas para a assembleia que ficavam nas bancadas na nave da igreja sem entender nada de latim. Cada fiel tinha um missal ou manual de orações que ficava rezando durante a celebração da eucaristia.
Mas o que eu quero ressaltar aqui, é que a Igreja Católica Apostólica Romana, unida ao Estado, proibiu aos fieis não lerem a Bíblia; ensinou aos católicos as vidas dos santos e orações dos santos cujos santos seriam os intercessores. Os católicos, bem pouco, liam alguns trechos da Bíblia, mas muito tardio, logo depois da Reforma. Com essa atitude de editarem livros e mais livros de santos e de orações mais e mais orações, mais distantes ficaram os católicos afastados da leitura bíblica. Nas livrarias católicas havia bastantes livros de orações para orar pelos seus santos de devoção. Os católicos ficaram enclausurados e a igreja também, desde o século IV, até o século XX, somente assistindo as celebrações em latim. Quando foi aberto o Concílio Ecumênico Vaticano II, em 1960 a 1965, pelo papa João XXIII, veio a abertura para os leigos serem missionários da palavra e catequistas. Embora tardio, os católicos conservaram a fé. Um verdadeiro milagre, pois, tanto os fieis quanto o clero estavam enclausurados entre quatro paredes. O que aconteceu? De 95% de católicos em todo Brasil, hoje, as estatísticas afirmam que só existem 67% de católicos, e somente 7% são os que praticam e vivem a fé cristã. 60% são tradicionais e outros tantos fazem de conto que são. Quem foi culpado disso tudo? A própria Igreja Católica que ensinou orações e vidas dos santos para os fieis católicos e longe da leitura bíblica. Como corrigir agora? Agora é tarde, pois não temos mais catolicismo, mas catolicismos: Padres de movimento carismáticos, que sustentam orações patológicas, aos santos e a Maria e mandam os católicos cuidarem do jardim e se esquecem do Jardineiro: Jesus Cristo. Ensinam a cantar, louvar, emocionar e intercederem pelos santos e Maria, com celebrações cheias de pantomima, teatro, longe da realidade bíblica à anos luz. Transforma a igreja em hospitais e Jesus Cristo substituindo os médicos: Missa do milagre!... Quem inventou essa pantomima e enganação? Criaram até as mãos ensanguentadas de Jesus que fazem milagres. Mas Jesus não ressuscitou? Ele não está ressuscitado ao lado do Pai? Como é que ele deixou as mãos ensanguentadas Dele para fazer milagres? Não é falsa essa invenção!? É mesmo que negar que Jesus não ressuscitou com seu corpo e comeu com os apóstolos pão e peixe e se ascendeu ao céu! Isso é idolatria, é pecado capital. Já pensou se o papa Francisco, lá no Vaticano, celebrasse a santa missa das mãos ensangüentadas de Jesus e dissesse ao povo: É um grande milagre!? São falsos profetas e muitos católicos aplaudem porque ensinaram errado há muitos séculos.
E assim vai crescendo a ignorância cristã, adulterando o verdadeiro cristianismo. Muitos por ignorar o que significa a celebração eucarística e a comunhão, deixaram de ser católicos e foram para outras religiões com o nome de igreja na fachada dela tem o nome criado daquela facção religiosa. Quem é culpado? Ninguém pode viver numa comunidade a ignorar o que aquela comunidade ensina e como é a sua doutrina. Digo doutrina bíblica, não doutrina de orações e louvores aos santos, que inventaram. Alguém quando ler essa crônica minha, vai ficar pasmo e perguntar: Oxete, Honorato Ribeiro dos Santos não é mais católico!? É, meus amigos, a verdade é dura! Sou católico, mas não sou otário que devo ficar calado perante doutrina meramente humana com o nome de Jesus Cristo. Talvez eu faça parte dos católicos 7% em ação.
Agora já tardio, a igreja está dando curso bíblico e teologia, mas poucos são os que aceitam a fazer esses cursos, pois já acostumaram com o que ensinaram há muitos séculos. Hoje temos, não somente catolicismos, mas cristianismos; e a vida vai levando para o fanatismo religioso e o fetichismo religioso. Não sou contra a interseção aos santos, principalmente a Maria a Mãe de Jesus. Melhor é saber que: Deus está sentado no seu trono e os santos e anjos louvado-O e exaltando-O o nome santo de Deus. E está sentado à direita do Pai, Jesus Cristo, aquele que há de julgar toda a humanidade no dia da sua parusia e a escatologia no juízo final. Tudo que nós pedimos a qualquer santo, quem recebe diretamente é Jesus e leva ao Pai. Depois transmite aos santos o pedido. Deus dá a quem merece e na hora que ele quiser dar.
A Bíblia diz claramente, que ninguém vai a Deus sem passar pelo próximo. E Jesus Cristo é o único Senhor e intercessor de todos perante o Pai. Os santos são os segundos intercessores, pois Deus ama os santos e seus anjos, mensageiros dos céus à terra. Melhor seria, ao invés de abrir seu livro de oração aos santos, abrisse a Bíblia e lesse os salmos. Lá é a verdadeira oração e Jesus e os apóstolos salmodiavam bastante. Paulo lia muito os salmos e citou muitos textos dos salmos nas suas epístolas. Outra coisa errônea que ensinaram os católicos: Salve rainha mãe da misericórdia... Maria nunca foi rainha e nem esposa de rei, pois José era carpinteiro. Rainha é esposa de um rei e moram em palácio de luxo e com seus ministros e seus mordomos. Maria foi sempre pobre doméstica e nunca teve palácio, coroa e tampouco ministros. Maria vivia entre os pobres e pertencia uma classe que abominava acúmulo de bens matérias e riqueza. Essa classe se chamava Anauin. Jesus, Maria, José e João Batista pertenciam a essa classe.



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